Irã quer restringir críticas da imprensa

O governo do Irã apelou ao judiciário que controle os jornais que espalham "mentiras", mas legisladores da oposição disseram que os governantes não deveriam temer críticas, segundo jornais desta segunda-feira. De acordo com a agência Reuters, a imprensa tem sido o principal campo de batalha político no Irã desde os anos 90. O judiciário, controlado por conservadores, fechou mais de cem publicações reformistas liberais desde então, apesar de algumas sobreviverem. "Aqueles que espalham mentiras sobre o governo deveriam ser processados", afirmou o porta-voz do governo, Gholamhossein Elham, em carta enviada na última quarta-feira ao promotor de Teerã, segundo relataram os jornais locais. "Aqueles que espalham mentiras deveriam fornecer seus documentos (que provem as afirmações) ao judiciário, e o judiciário deveria acompanhar o caso", diz a nota.Diferente do que muitos analistas previam, os processos contra jornais não tiveram aumento significativo desde que o presidente Mahmoud Ahmadinejad assumiu o poder há um ano atrás. Os legisladores da oposição dizem que o governo não deve ser sensível às críticas."A carta do porta-voz indica que o governo prefere o silêncio dos seus oponentes, que já dura um ano, a revelar as falhas de Teerã ao povo", afirmou o reformista Valiollah Shojapourian ao diário Kargozaran.Elham diz que a administração de Ahmadinejad não tem intenções de censurar a mídia. "O governo está aberto para críticas e avaliação do seu trabalho pela mídia, e defende a livre circulação da informação, da oposição e da auto-censura", disse o porta-voz à agência de notícias do Irã, Irna.

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