Irã quer tempo para estudar oferta de ´intervalo´ nuclear

O Irã disse no domingo que precisa de tempo para examinar a sugestão do chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) de um "intervalo", no qual tanto o programa nuclear iraniano quanto as sanções impostas pela Organização das Nações Unidas (ONU) ao país islâmico seriam suspensos. O chefe da agência nuclear da ONU, Mohamed ElBaradei, disse durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, que ações militares contra instalações nucleares no Irã, um passo que Washington ainda não tomou, seriam loucura e que os dois lados têm que parar de medir forças e iniciar um diálogo direto. "O Irã precisa de tempo para analisar essa iniciativa (de um "intervalo") para ver se isso vai resolver a questão nuclear no Irã", disse o negociador chefe da república islâmica para a questão nuclear, Ali Larijani, ao ser questionado sobre a proposta de intervalo. "Uma sugestão como essa tem que ser analisada", disse Larijani em uma entrevista à imprensa ao lado do secretário do Conselho de Segurança, o russo Igor Ivanov. O Irã disse anteriormente que estava pronto a considerar as propostas para encerrar o impasse, como a de passar a enriquecer urânio em solo russo. Mas não chegou a concordar com outros planos, levando alguns países ocidentais a acusá-lo de estar perdendo tempo. O Ocidente acusa o Irã de tentar construir bombas atômicas, uma acusação que Teerã nega, afirmando que quer apenas produzir energia para fins pacíficos. "A iniciativa de El Baradei de um ´intervalo´ pode ser considerada e penso que, durante este período, uma solução política possa ser encontrada", disse Ivanov por meio de um tradutor, acrescentando que a disputa não tem uma "solução militar". Forte sinal As sanções da ONU foram impostas à república islâmica em 23 de dezembro de 2006 devido a sua recusa em parar de enriquecer urânio, um processo que pode ser usado para produzir combustível para usinas ou para fabricar bombas atômicas. Os Estados Unidos têm dito que querem que a diplomacia resolva o impasse, mas não descartam ações militares se isso falhar. O vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, disse à revista Newsweek que Washington está enviando um "forte sinal" ao Irã com o envio de um segundo porta-aviões ao Golfo. Políticos moderados do Irã, principalmente os críticos do presidente Mahmoud Ahmadinejad, têm aconselhado cautela e até a suspensão do enriquecimento, um passo a que o Irã se opõe. Ahmadinejad vem sendo culpado de exacerbar o impasse com o Ocidente com seus discursos inflamados, embora a última palavra sobre a política nuclear e outras questões de Estado estejam com o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, a maior autoridade iraniana. O Irã afirma que seguirá adiante com seus planos de aumentar sua capacidade de enriquecimento de urânio, até agora limitada a duas séries experimentais de 164 centrífugas cada. Eles devem começar a instalar logo 3.000 centrífugas. Um político disse no sábado que o trabalho de instalação das novas máquinas já começou, mas as autoridades iranianas rapidamente negaram a informação.

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