Irã reafirma que não suspenderá enriquecimento de urânio

O Governo do Irã reiterou neste domingo, 30, que não temeas ameaças em relação a seu programa nuclear e afirmou que não suspenderá o enriquecimento de urânio, apesar das crescentes pressões internacionais.O porta-voz do Ministério de Exteriores, Hamid-Reza Asefi,reafirmou que seu país cooperará com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) se o caso for tratado por essa organização e não pelo Conselho de Segurança da ONU.Asefi fez tal declaração em uma entrevista coletiva em Teerã,dois dias depois de o relatório do diretor da AIEA, o egípcioMohamed ElBaradei, afirmar que a República Islâmica não coopera o suficiente com sua organização.Esta situação abre caminho para a possível adoção de medidaspunitivas contra a República Islâmica pelo Conselho de Segurança.AIEAAsefi insistiu que a suspensão do enriquecimento de urânio "está fora da ordem do dia" dos responsáveis iranianos, e reafirmou que, para seu país, a única maneira de resolver o caso é estudá-lo unicamente no interior da AIEA.O porta-voz acrescentou que "atualmente não existe argumentosobre a permanência ou a saída do Irã do Tratado deNão-Proliferação" de Armas Nucleares (TNP)."O Irã apresentará um plano para cooperar com a AIEA dentro de três semanas, calculadas a partir do dia no qual se decida devolver o expediente nuclear a esta organização", afirmou o porta-voz, acrescentando que "todos os problemas no tema nuclear são um jogo iniciado pelos americanos".O porta-voz disse que o relatório de ElBaradei "indica que não existe nenhuma possibilidade para enviar o caso nuclear iraniano ao Conselho de Segurança" das Nações Unidas. Ele também alertou que Teerã "responderá de forma oportuna aos passos extremistas que forem dados" contra o país.ReuniãoAsefi se referiu à reunião sobre o Irã que será realizada naterça-feira em Paris entre Estados Unidos, Rússia, China e o trio europeu, formado por Reino Unido, França e Alemanha. "Aconselho os participantes desta cúpula que evitem a linguagem da ameaça e da pressão e que levem em conta a invalidez desta linguagem ao olhar o passado. A República Islâmica do Irã não dará marcha à ré", reiterou Asefi.Rússia e China, ambos membros permanentes do Conselho deSegurança da ONU, mostraram-se contrários à aplicação de sanções contra o Irã e insistem em uma solução diplomática, embora destaquem a necessidade de que Teerã renuncie ao enriquecimento de urânio.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.