REUTERS/Morteza Nikoubazl/File Photo
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Irã reage a sanções americanas à Guarda Revolucionária

Comunicado de Teerã diz que qualquer ação da administração ou do Congresso dos EUA contra o braço armado de elite constituirá um 'erro estratégico e desencadeará a indignação do povo iraniano'

O Estado de S.Paulo

20 Outubro 2017 | 18h07

O governo do Irã divulgou um comunicado nesta sexta-feira, 20, no qual rechaçou as novas sanções impostas ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) pelos Estados Unidos e defendeu a continuidade de seu programa de mísseis. Há uma semana, o presidente americano, Donald Trump, anunciou, durante discurso, que o Departamento do Tesouro estava impondo novas sanções à Guarda Revolucionária, uma unidade militar leal ao líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei. 

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O comunicado iraniano diz que qualquer ação da administração ou do Congresso dos EUA contra o braço armado de elite constituirá um "erro estratégico e desencadeará a indignação do povo iraniano". "O presidente dos EUA terá de assumir a total responsabilidade por todas as consequências dessa medida perigosa." 

No discurso, Trump detalhou uma abordagem mais combativa em relação ao Irã e seus programas nuclear e de mísseis balísticos, além de seu apoio financeiro e militar a grupos extremistas no Oriente Médio. 

Trump anunciou que não certificaria o acordo nuclear, firmado em 2015 pela administração anterior de Barack Obama e as potências mundiais, incluindo Rússia, França, Alemanha, Reino Unido, China e Alemanha. A certificação é feita a cada 90 dias. O republicano enviou o assunto para o Congresso dos EUA, em uma sequência que pode tirar os EUA do acordo, mediado pela União Europeia, que estabeleceu regras e restrições ao desenvolvimento do programa nuclear do Irã. 

No texto divulgado, o governo iraniano defende que já foi atestado pela comunidade internacional que o objetivo de seu programa nuclear é pacífico e considera que as armas de destruição em massa, incluindo as nucleares, "perturbam a paz e a segurança internacional, e nunca terão lugar na sua doutrina militar". 

"A república islâmica do Irã não será a primeira a se retirar do acordo, mas se os seus direitos e interesses no acordo não forem respeitados, ele deixará de cumprir todos os seus compromissos e retomará seu programa nuclear pacífico sem quaisquer restrições." 

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Teerã criticou o que chamou de interferência dos EUA na região e alegou que desde os primeiros dias da Revolução Islâmica, em 1979, o país "adotou uma abordagem hostil, intervencionista e desestabilizadora em relação ao governo recém criado do Irã, com o objetivo de derrubá-lo". 

A nação islâmica argumenta que em razão dessa atitude americana, "que enviou centenas de bilhões em armas para a região que a transformaram em um barril de pólvora", o país "não pode ficar indiferente perante às necessidades de defesa". "É nesse quadro que o programa de mísseis iranianos possui um caráter puramente defensivo e dissuasivo", afirma o comunicado. "Esse programa continuará com toda a força de acordo com o nosso programa de defesa nacional e não é negociável e nem o será." 

 

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