Irã reage à vitória democrata com aceno a novas negociações

Líder do Parlamento afirma que não é tabu dialogar com Washington e Teerã o faria no inferno, se houvesse benefícios

ANDREI NETTO , CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2012 | 02h06

O Irã reagiu à vitória de Barack Obama nos EUA com uma inesperada declaração em defesa de negociações sobre seu programa nuclear. Horas após o resultado ser divulgado, uma das figuras mais importantes da república islâmica disse que não é tabu dialogar com Washington e Teerã o faria "até mesmo no inferno, se isso beneficiar nosso sistema".

O comentário foi feito pelo líder no Parlamento, Ali Larijani - aliado do líder supremo, Ali Khamenei - em entrevista à agência estatal Mehr. A notícia, entretanto, foi tirada pouco depois da internet e nenhum outro comentário do tipo foi feito.

Há duas semanas, o jornal The New York Times noticiou que diplomatas iranianos e americanos estavam conduzindo negociações de bastidores sobre o programa nuclear de Teerã. Ambos os lados negaram de imediato a informação.

Primavera árabe. A vitória de Obama tende a abrir um novo capítulo na guerra civil síria. A expectativa foi revelada por líderes políticos do mundo árabe-muçulmano e também pelo primeiro-ministro da Grã-Bretanha. David Cameron defendeu ontem que a sorte de Bashar Assad seja transformada em prioridade máxima da política externa americana no início do segundo mandato democrata.

A reeleição também repercutiu bem entre líderes políticos da região. Em mensagem de felicitação, o presidente do Egito, Mohamed Morsi, que manteve relações distantes até agora, disse esperar "o reforço das relações de amizade entre os dois países para servir aos objetivos comuns: a justiça, a liberdade e a paz".

Já o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, com quem Obama tem uma relação tensa, pediu ao presidente reeleito que continuem a trabalhar em conjunto "para assegurar os interesses vitais da segurança dos Estados Unidos e de Israel".

No Afeganistão, o presidente Hamid Karzai também disse esperar a intensificação das relações bilaterais. Por outro lado, um porta-voz do Taleban exortou o presidente a antecipar a retirada das tropas americanas no país. / COM AFP, REUTERS E NYT

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