Irã reconhece que agressão causou morte de jornalista

O vice-presidente do Irã reconheceu que uma jornalista iraniano-canadense que havia sido detida após cobrir um protesto contra o governo morreu como resultado de uma agressão, e que uma investigação sobre o incidente está em andamento. Anteriormente, autoridades iranianas afirmavam que a fotógrafa free-lance Zahra Kazemi havia morrido vítima de um derrame cerebral, rejeitando denúncias da família, de que ela tinha sido espancada até a morte por agentes de segurança que a detiveram enquanto cobria um protesto estudantil. "Ela morreu de hemorragia cerebral resultante de golpes", disse a repórteres o vice-presidente Mohammad Ali Abtahi, depois de uma reunião ministerial. "Estamos buscando detalhes para saber como isso ocorreu". A morte de Kazemi é mais um caso em que se chocam conservadores e reformistas iranianos. A facção linha-dura no governo insistia que a jornalista havia morrido de um derrame e tentava apressar o enterro. Um comitê apontado pelo presidente reformista Mohammad Khatami para investigar a morte interveio e evitou o sepultamento. A informação de que ela fora espancada foi dada por Abtahi, um aliado de Khatami. A morte de Kazemi "nada mais faz do que manchar nossa imagem internacional num momento em que estamos numa profunda crise interna e externamente", avaliou Abtahi.

Agencia Estado,

16 Julho 2003 | 16h40

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