EFE/ Abedin Taherkenareh
EFE/ Abedin Taherkenareh

Irã recua em acordo nuclear e anuncia enriquecimento ilimitado de urânio

Porta-voz do governo disse que as medidas podem ser revertidas caso haja a retirada de sanções dos Estados Unidos sobre Teerã

Gregory Prudenciano e Altamiro Silva Júnior, com agências internacionais, O Estado de S.Paulo

05 de janeiro de 2020 | 16h19

TEERÃ - O Irã anunciou neste domingo, 5, que vai renunciar ainda mais aos compromissos feitos em um acordo nuclear em 2015 com seis potências mundiais, mas que continuará cooperando com o órgão de fiscalização nuclear da Organização das Nações Unidas (ONU), a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), de acordo com a televisão estatal. A declaração do Irã acontece em meio a uma escalada na tensão entre o país e os Estados Unidos, que na sexta-feira, 3, matou o general iraniano Qassim Suleimani em Bagdá, capital do Iraque.

Um porta-voz do governo iraniano disse à emissora que o país não vai mais respeitar os limites estabelecidos sobre o número de centrífugas de enriquecimento de urânio que pode usar, o que significa que não haverá limites para a capacidade de enriquecimento, ou à pesquisa e desenvolvimento nuclear da nação. A partir de agora, essas diretrizes seguirão as necessidades técnicas iranianas.

O porta-voz disse que as medidas podem ser revertidas com a retirada de sanções dos Estados Unidos sobre Teerã. A saída do Irã do acordo nuclear acontece dois anos depois dos Estados Unidos terem deixado o acordo e imposto sanções contra a economia iraniana.

Apesar da declaração, o governo iraniano também disse que vai continuar a cooperar com a Agência Internacional de Energia Atômica e que está pronto para retornar aos termos do acordo nuclear caso sejam removidas as sanções contra o país.

O acordo nuclear, assinado em 2015 pôs fim a sanções econômicas ao Irã em troca das promessas de monitoramento de seu desenvolvimento nuclear e do enriquecimento de urânio para fins pacíficos.

Macron pede que Irã evite escalar tensão no Oriente Médio

O presidente da França, Emmanuel Macron, pediu que o Irã evite tomar medidas que possam provocar uma escalada na tensão no Oriente Médio e desestabilizem a região, de acordo com comunicado divulgado pelo governo francês. O dirigente disse que a França está determinada a trabalhar com seus parceiros regionais e internacionais para esforços conjuntos de melhorar a situação na região.

Macron falou na tarde de hoje com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e expressou solidariedade à Casa Branca e aos aliados sobre a questão no Oriente Médio, segundo o texto. "Dado o recente aumento das tensões no Iraque e na região, o Presidente da República destacou sua total solidariedade com nossos aliados à luz dos ataques realizados nas últimas semanas contra a coalizão no Iraque."

"Ele também expressou sua preocupação com as atividades desestabilizadoras da força Quds sob o general Qassem Soleimani e destacou a necessidade do Irã...de evitar tomar medidas que possam levar a uma escalada na situação e desestabilizar a região", observa o texto. Qassem Soleimani foi morto pelo governo americano na sexta-feira.

Macron disse que a prioridade da comunidade internacional deve ser lutar contra o Estado Islâmico e respeitar a soberania do Iraque./REUTERS

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