Irã recusa ajuda dos EUA para comprar isótopos de reator

Teerã afirma que potências internacionais deveriam permitir que Irã enriqueça seu urânio

AE e Efe, Agencia Estado

10 de fevereiro de 2010 | 12h36

O Irã rejeitou nesta quarta-feira, 10, uma proposta norte-americana por meio da qual a república islâmica poderia obter isótopos medicinais em troca da paralisação de seu programa de enriquecimento de urânio.

 

"Desligar o reator ou parar a produção de remédios não é a solução", declarou Ramin Mehmanparast, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã. "Essa proposta não tem lógica porque nossos pacientes precisam de remédios", disse.

 

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Philip Crowley, porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, sugeriu a ideia depois de o Irã ter anunciado, na terça-feira, o início da produção de urânio enriquecido a 20% para abastecer o reator nuclear de Teerã, onde são fabricados isótopos medicinais. Para Crowley,  a troca de isótopos seria a forma mais "rápida e fácil" de cobrir uma necessidade iraniana e, ao mesmo tempo, retomar um clima de confiança.

 

"Expressamos nossa vontade de trabalhar com eles

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(os iranianos) na importação de isótopos médicos se essa for sua preocupação verdadeira, como alegam", apontou Crowley. O porta-voz iraniano, contudo, disse que, ao invés disso, as potências internacionais deveriam permitir que o Irã expanda seu programa de enriquecimento de urânio. "A solução é o outro lado cooperar com o aumento (do número de reatores) para que as necessidades dos pacientes sejam atendidas", afirmou.

 

Mehmanparast pediu à comunidade internacional que desista das medidas de pressão e adote uma estratégia "mais realista". "Esses esforços só servirão para sensibilizar ainda mais as pessoas a terem uma má imagem entre a opinião pública iraniana", ressaltou.

 

Meses atrás, o Irã anunciou à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que o combustível nuclear que alimenta seu reator civil da capital acabaria ao longo de 2010.  Em outubro, Rússia, Estados Unidos e França propuseram ao regime iraniano enviar ao exterior seu urânio enriquecido a 3,5% e recuperá-lo depois a 20%, nas condições precisas para alimentar o reator.

 

Após meses de ambiguidades, o Irã respondeu que a troca deveria ser feita em seu território nacional e de forma escalonada, e advertiu que se suas condições não forem aceitas, conseguiria o combustível por sua conta.

 

Esta semana, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, cumpriu a ameaça e ordenou o início do enriquecimento na usina de Natanz, mas ressaltou que a decisão não significa fechar as portas à negociação.

 

Em resposta, o Governo dos Estados Unidos impôs nesta quarta novas sanções a quatro empresas ligadas à Guarda Revolucionária do Irã e a um general da corporação, em mais um passo para cortar o financiamento da tropa de elite iraniana.

 

A decisão atinge sobretudo as filiais da construtora Khatam al-Anbiya, o braço de engenharia da Guarda Revolucionária, já incluído na lista de empresas punidas pelo Governo americano. Quem também teve as sanções reforçadas foi o general Rostam Qasemi, que dirige a entidade.

 

A Khatam al-Anbiya é controlada pela Guarda Revolucionária e se dedica à construção de estradas e túneis e a projetos de fornecimento de água, de agricultura e petrolíferos.

 

Os Estados Unidos e alguns de seus aliados suspeitam que o Irã desenvolva em segredo um programa nuclear bélico. Teerã sustenta que seu programa é civil e tem finalidades pacíficas, estando de acordo com as normas do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, do qual é signatário.

O enriquecimento de urânio é um processo essencial para a geração de combustível utilizado no funcionamento de usinas nucleares. Caso esteja enriquecido a mais de 90%, o urânio pode ser usado em armas atômicas.

 

O Irã vinha produzindo havia anos urânio enriquecido a 3,5%, em desafio a três pacotes de sanções aprovados pelo Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU). As informações são da Dow Jones.

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