Irã reduz estoque de combustível nuclear, diz relatório da AIEA

Segundo o documento, Teerã está cumprindo o acordo feito em janeiro com potências ocidentais

O Estado de S. Paulo,

18 de abril de 2014 | 10h50

VIENA - O Irã trabalhou para reduzir o seu estoque de combustível nuclear mais perigoso em quase 75% ao implementar O pacto histórico feito com as potências mundiais, informou um relatório da Organização das Nações Unidas na quinta-feira 17.

A atualização mensal da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que tem um papel central na comprovação de que o Irã está cumprindo sua parte do trato, deixou claro que até agora o país está tomando as atitudes acordadas para reduzir seu programa nuclear.

Como resultado, Teerã vem ganhando acesso gradual a alguns fundos no exterior. Em Washington, o Departamento de Estado disse que os Estados Unidos adotaram medidas para liberar uma parcela de US$ 450 milhões de fundos iranianos congelados. Além disso, o Japão fez mais dois pagamentos totalizando US$ 1 bilhão para o Irã pela importação de petróleo bruto, afirmaram duas fontes familiarizadas com as transações.

Sob os termos do acordo, que entrou em vigor em 20 de janeiro, o Irã interrompeu alguns aspectos de seu programa nuclear em troca de um alívio limitado das sanções internacionais que abateram a economia do país produtor de petróleo.

O acordo foi feito para dar tempo para as negociações de um pacto de longo prazo na disputa de mais de uma década em torno das atividades nucleares que o Irã diz serem pacíficas, mas o Ocidente alega que podem estar secretamente direcionadas ao desenvolvimento de uma bomba atômica.

As conversas, possibilitadas pela eleição do presidente Hassan Rohani no ano passado depois de anos de confrontação com Mahmoud Ahmadinejad, começaram em fevereiro e devem resultar em um acordo até 20 de julho. Washington não descarta a ação militar contra Teerã se a diplomacia fracassar.

O relatório da AIEA mostrou que o Irã - como estipulado no acordo de 24 de novembro com EUA, França, Alemanha, Grã-Bretanha, China e Rússia - diluiu metade de sua reserva de urânio altamente enriquecido para um conteúdo físsil menos passível de ser usado em bombas. Um dos pagamentos do Japão, no valor de US$ 450 milhões em 15 de abril, estava condicionado ao cumprimento desta meta.

Teerã também continuou a converter a outra metade de seu estoque de gás de urânio refinado a um grau de pureza de 20% - um passo técnico relativamente curto para o grau de 90% requerido para armas - em óxido para fabricar combustível de reatores.

No total, nos últimos três meses o Irã diluiu ou acrescentou ao processo de conversão quase 155 quilos de seu gás de urânio altamente enriquecido, que chegava a 209 quilos quando o acordo entrou em vigor, um pouco menos que os aproximados 250 quilos estimados por especialistas para se fazer uma bomba.

Isso será visto pelos países ocidentais como um desenvolvimento positivo, já que aumenta o prazo que o Irã precisa para acumular material físsil suficiente para o núcleo de uma arma nuclear. Teerã afirma que refina o urânio para abastecer somente reatores nucleares, não bombas./ REUTERS

 
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