Irã reforça proposta de moratória como solução à crise

O Irã ofereceu uma moratória de até dois anos em seu programa industrial de enriquecimento de urânio, com a condição de poder manter suas atividades científicas nesse âmbito, disseram nesta terça-feira fontes diplomáticas em Viena. As fontes, consultadas durante a reunião da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que discute uma saída pera crise nuclear do Irã, indicaram que esta oferta não é aceitável para os Estados Unidos e para a União Européia porque consideram o período de suspensão muito curto. Uma nova proposta da Rússia prevê que o Irã congele seu programa industrial de enriquecimento de urânio por um período de até nove anos e ratifique o Protocolo Adicional do Tratado de Não-proliferação Nuclear (TNP). Em troca, o país poderá realizar pesquisas limitadas nesse âmbito, sob a supervisão AIEA. O Irã suspendeu a aplicação do Protocolo, que permite visitas surpresas dos analistas da AIEA às instalações nucleares iranianas, depois que este organismo internacional decidiu em janeiro levar o caso ao Conselho de Segurança. O representante do líder máximo iraniano Ali Khamenei no Conselho Supremo de Segurança Nacional (CSSN), Hassan Ruhani, anunciou nesta terça-feira que voltará a aplicar o Protocolo se o caso nuclear iraniano não for levado ao Conselho de Segurança da ONU, mas reafirmou que o país não suspenderá as pesquisas nucleares. Contudo, nesta terça-feira, o parlamento iraniano autorizou a utilização de US$ 200 milhões do fundo de estabilização petrolífera para o término da construção da central nuclear de Buchehr, que está sendo construída pela Rússia. Segundo a agência de notícias France Presse, o custo estimado do projeto é de USS$ 800 milhões e o governo espera que a central esteja pronta até o final do ano. Compensação O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad comunicou à Agência Nuclear da ONU que quer uma compensação pelos três anos de suspensão das atividades nucleares do país, em 2003. Ahmadinejad fez a afirmação logo após o início do segundo dia de reuniões da AIEA em Viena, cuja pauta inclui o programa iraniano. "A AIEA agora terá de recompensar o Irã pelos danos causados ao desenvolvimento da ciência, tecnologia e economia em virtude da suspensão das atividades nucleares", afirmou o presidente em depoimento à rede de televisão. Sob forte pressão do Ocidente, o Irã suspendeu o enriquecimento de urânio e outras atividades relacionadas em 2003, em um gesto de boa vontade. À época, o país iniciou as negociações com três potências européias para a estruturação de seu desenvolvimento nuclear, mas o governo iraniano afirma que a suspensão gerou a perda do emprego de centenas de cientistas.

Agencia Estado,

07 Março 2006 | 15h04

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