Irã rejeita aproximação de Obama

Aiatolá Ali Khamenei diz que oferta de melhores relações é 'slogan' e não viu mudanças na política dos EUA

AP e Reuters, TEERÃ, O Estadao de S.Paulo

21 de março de 2009 | 00h00

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, rejeitou ontem o gesto conciliador do presidente americano, Barack Obama, ao destacar que Teerã não notou mudanças nas políticas de Washington sob o novo governo.Khamenei disse que a oferta de melhores relações é apenas um "slogan", mas prometeu que Teerã responderá a qualquer real mudança na política em Washington. "Se vocês mudarem, nosso comportamento também mudará", declarou.Em uma mensagem de vídeo, com legendas em farsi, divulgada na sexta-feira, Obama saudou o Irã pelo ano-novo persa e disse que quer boas relações com Teerã. Mas ele advertiu que o Irã não poderá ocupar o lugar que lhe corresponde na comunidade internacional "por meio do terror ou das armas, mas apenas por meio de ações pacíficas que demonstrem a verdadeira grandeza do povo e da civilização iranianos".Khamenei tem a última palavra em todas as decisões importantes e a resposta do Irã a qualquer tentativa de reconciliação dos EUA dependerá principalmente do líder religioso.Em sua avaliação mais direta de Obama e as perspectivas de melhores relações com os EUA, Khamenei disse que não haverá mudanças em Teerã a menos que Washington desista de sua hostilidade com relação ao Irã e demonstre "verdadeiras mudanças" em sua política externa."Repetem o lema da mudança, mas na prática não se vê nenhuma mudança", disse Khamenei a dezenas de milhares de pessoas na cidade santa de Mashhad, no noroeste do Irã.Em uma dura crítica às ações americanas, o líder religioso disse que os EUA são "odiados no mundo" e deveriam deixar de interferir nas questões internas dos outros países.Os EUA e o Irã romperam relações diplomáticas após a tomada de reféns na embaixada americana em Teerã e a Revolução Islâmica de 1979, que derrubou o xá Reza Pahlevi, pró-Ocidente, e levou os clérigos islâmicos ao poder.As tensões entre os dois países aumentaram durante o governo de George W. Bush, que incluiu o Irã no chamado "eixo do mal, com Iraque e Coreia do Norte, e ampliou as sanções contra o país persa por causa de seu programa nuclear.RÚSSIAO ministro russo de Relações Exteriores, Serguei Lavrov, disse ontem, durante um debate em Bruxelas, que "não há nenhuma prova de que o Irã decidiu fabricar uma arma atômica" e pediu negociações com "respeito" com Teerã.Segundo ele, enquanto a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) estiver no Irã, "as manipulações necessárias nas centrífugas" para enriquecer urânio no nível de uso militar "seriam imediatamente detectadas pelas câmeras da agência da ONU", argumentou. "O Irã representa uma parte construtiva da solução (no Oriente Médio), não o problema", acrescentou. FRASESAiatolá Ali KhameneiLíder supremo do Irã"Repetem o lema, mas na prática não há mudanças. Se vocês mudarem, nosso comportamento também mudará""Vocês usam o slogan de negociação e pressionam novamente... Nossa nação não pode conversar assim"

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