Iranian President Office via EFE/EPA
Iranian President Office via EFE/EPA

Irã rejeita novos participantes e qualquer negociação sobre acordo nuclear

Irã rejeita novos participantes e qualquer negociação sobre acordo nuclear

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2021 | 14h03

TEERÃ - O Ministério das Relações Exteriores do Irã rejeitou neste sábado, 30, quaisquer novas negociações ou mudanças nos participantes do acordo nuclear de Teerã com potências mundiais, depois que o presidente francês Emmanuel Macron disse que quaisquer novas negociações deveriam incluir a Arábia Saudita.

"O acordo nuclear é um acordo internacional multilateral ratificado pela Resolução 2231 do Conselho de Segurança da ONU, que não é negociável e as partes dele são claras e imutáveis", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Saeed Khatibzadeh, citado pela mídia estatal.

O Irã começou a violar os limites do acordo sobre a atividade de enriquecimento de urânio depois que Washington, sob governo do então presidente Donald Trump, se retirou do pacto em 2018 e voltou a impor sanções econômicas a Teerã.

O novo governo do presidente Joe Biden disse que retornará ao acordo, mas somente depois que Teerã retomar o cumprimento integral de seus termos.

A Arábia Saudita e seu aliado, os Emirados Árabes Unidos, disseram que os países do Golfo Árabe deveriam estar envolvidos desta vez em qualquer negociação. Para a Arábia Saudita, as conversas devem também abordar o programa de mísseis balísticos do Irã e seu apoio a representantes em todo o Oriente Médio.

Em seus comentários na sexta-feira, citados pela televisão Al Arabiya, Macron destacou a necessidade de evitar a exclusão de outros países da região das negociações do acordo, o que chamou de "erro".

A Arábia Saudita, que está travando várias guerras por procuração na região com Teerã, incluindo no Iêmen, apoiou a campanha de "pressão máxima" de Trump contra o Irã.

Macron disse que quaisquer novas negociações sobre o acordo nuclear com o Irã serão muito "estritas" e que resta muito pouco tempo para evitar que Teerã tenha uma arma nuclear.

Khatibzadeh disse que Macron deveria "mostrar autocontenção". "Se as autoridades francesas estão preocupadas com suas enormes vendas de armas para os países árabes do Golfo Pérsico, é melhor reconsiderar suas políticas", disse Khatibzadeh. "As armas francesas, junto com outras armas ocidentais, não só causam o massacre de milhares de iemenitas, mas também são a principal causa da instabilidade regional." /REUTERS

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