Irã rejeita proposta dos EUA de conversa sobre EI e Kerry evita bate-boca

Após conferência internacional em Paris, secretário de Estado americano indicou espaço para diálogo; Khamenei rejeitou convite

O Estado de S. Paulo

15 de setembro de 2014 | 19h07

PARIS - O Irã ontem rejeitou uma proposta americana de cooperação na luta contra os militantes do Estado Islâmico (EI), mas os EUA disseram que a porta continua aberta para uma rara oportunidade de união por uma causa comum com seu principal adversário no Oriente Médio. A rejeição do Irã veio após potências mundiais em reunião na capital da França concordarem em usar "todos os meios necessários" para combater a força militante que assola partes do Iraque e da Síria.

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, se recusou a entrar em uma discussão "vai e volta" com o Irã nesta segunda-feira, após Teerã ter afirmado que recusou um pedido americano para coordenar uma resposta ao grupo militante Estado Islâmico. "Eu não vou entrar em um vai e vem. Eu não quero fazer isso. Eu não acho que isso seja construtivo, francamente", disse Kerry a jornalistas na residência do embaixador dos EUA em Paris, após uma conferência internacional sobre o Iraque à qual compareceram lideranças de 26 países.

Mais cedo, o líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, disse que Teerã havia recusado um convite dos EUA para cooperar na luta contra o EI. "O embaixador americano no Iraque chamou o nosso embaixador (no Iraque) para uma reunião para discutir a coordenação do combate ao Daesh", disse Khamenei, ao referir-se ao grupo radical islâmico por sua sigla em árabe, em declaração divulgada pela agência estatal de notícias Irna.

Questionado sobre a veracidade da notícia, Kerry respondeu: "Eu não faço ideia da interpretação que eles fizeram de qualquer discussão que tenha ou não acontecido. Não estamos coordenando nada com o Irã. Ponto". Ele disse que espera que Teerã e Washington possam se entender e atingir um meio termo na próxima rodada de negociações sobre paz nuclear, que começaram nessa semana.“Eu não estou expressando otimismo nisso. Tenho esperanças de que será possível encontrar uma maneira de chegar a um acordo que seja importante para o mundo, mas há algumas questões muito difíceis", afirmou.

Autoridades diplomáticas de seis potências mundiais -Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Rússia e China- irão iniciar a primeira rodada completa de negociações com o Irã desde julho na quinta-feira, em Nova York, procurando reduzir diferenças sobre o futuro tamanho da infraestrutura de enriquecimento de urânio do Irã, e outras questões.

Dependendo da evolução das conversas, eles podem subir para o nível dos ministros de Exterior durante a Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) na semana do dia 22 de setembro, de acordo com diplomatas.

O Irã nega alegações do Ocidente de que está refinando urânio para desenvolver a capacidade de montar armas nucleares, dizendo que o faz para ajudar a gerar eletricidade.

Os EUA e seus aliados impuseram nos últimos anos uma série de sanções financeiras rígidas, entre outras, ao Irã, um grande produtor de petróleo, para tentar fazer com que o país reduza seu programa nuclear.

Diplomatas dizem que o principal obstáculo são as discordâncias sobre o número de centrífugas que o Irã teria direito a ter para refinar urânio, com Teerã rejeitando as demandas para reduzir significativamente o número o número para menos das 19 mil que já estão instaladas. Metade dessas já estão operando. 

Mais cedo na segunda-feira, potências mundiais apoiaram medidas para ajudar a derrotar os combatentes do Estado Islâmico no Iraque, impulsionando os esforços de Washington para armar uma coalizão, mas não houve menção ao ainda mais complicado desafio diplomático na vizinha Síria./ W. POST e REUTERS

 

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