Irã responde desafiadoramente às novas sanções americanas

Negociador diz que medidas não terão efeito e Guarda Revolucionária ameaça com reação ?decisiva? a um ataque

Reuters, AP e AFP , Teerã, O Estadao de S.Paulo

27 de outubro de 2007 | 00h00

O Irã respondeu desafiadoramente ontem às novas sanções impostas na quinta-feira pelos EUA contra empresas iranianas, várias delas de propriedade da Guarda Revolucionária - uma força de elite do Exército que controla amplos setores da economia do país.O novo negociador nuclear iraniano, Said Jalili, disse que as sanções não terão nenhum efeito, informou a agência Irna. "As sanções não são novas. Há 28 anos sofremos sanções. Como as anteriores, essas não terão nenhum efeito na política do Irã", disse Jalili. O antigo negociador, Ali Larijani, declarou, por sua vez, que as sanções podem levar o Irã a repensar sua cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Os EUA anunciaram as novas medidas como forma de pressionar Teerã a suspender seu programa de enriquecimento de urânio, suspeito de estar sendo usado para a fabricação de armas nucleares.O chefe da Guarda Revolucionária, general Mohamad Ali Jaafari, deu ontem pouca importância à possibilidade de um ataque dos EUA contra o Irã e advertiu que suas forças responderão com um ataque "ainda mais decisivo" no caso de uma agressão. Jaafari disse que a república islâmica tem a "fortaleza e o poder da fé" de seu povo. "Este poder une a experiência, o conhecimento e a tecnologia no campo da defesa. O inimigo sabe que não pode cometer nenhum erro, assim que as palavras são apenas exageros", declarou.A Casa Branca negou ontem que se encaminhe para uma guerra com o Irã, como fez com o Iraque. No entanto, não descartou a possibilidade de recorrer à força. "Não creio que se deva estabelecer um paralelo" entre a atual conduta do governo americano e a que precedeu a invasão do Iraque, em 2003", disse o porta-voz presidencial, Tony Fratto. Ele assegurou que o governo de George W. Bush está "decidido" a usar a diplomacia. Tanto a China quanto a Rússia criticaram as novas sanções, que a secretária americana de Estado, Condoleezza Rice, disse ser necessárias para "confrontar o comportamento ameaçador dos iranianos". Condoleezza afirmou ontem, em entrevista à NBC, que não há divergências entre os EUA e a Rússia sobre a questão nuclear iraniana. Questionada sobre a falta de apoio russo às novas sanções, ela declarou que podem existir "diferenças táticas", mas os dois países "têm o mesmo ponto de vista" e não querem um Irã dotado de armas nucleares.DESAFIO INTERNOO maior partido reformista do Irã desafiou ontem abertamente a política nuclear linha-dura do presidente Mahmud Ahmadinejad. A Frente de Participação Islâmica advertiu sobre uma escalada da crise com a comunidade internacional e pediu uma revisão da política nuclear do Irã.

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