Irã responderá a qualquer ataque, diz vice-ministro

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Ali Ahani, afirmou que o país não pretende iniciar nenhuma guerra, mas promete responder "duramente" a qualquer ataque. A afirmação foi feita em uma entrevista ao jornal croata Vecernji List, publicada hoje, e vem a público em um momento de preocupação internacional sobre o programa nuclear iraniano. "O Irã certamente não começará uma guerra", afirmou Ahani ao diário. "Mas se formos atacados, responderemos duramente."

AE, Agencia Estado

22 de fevereiro de 2010 | 10h13

Israel, que acusa o Irã de tentar produzir armas atômicas secretamente, não exclui a possibilidade de atacar instalações nucleares do país. Teerã alega ter apenas um programa nuclear com fins pacíficos, como a produção de energia. Questionado sobre os investimentos do Irã em armas, Ahani disse que o povo iraniano é "pacífico" e seu país investe apenas em "caráter defensivo", por causa das "ameaças". O Irã deseja comprar um sistema antimísseis S-300, da Rússia. Israel e o Ocidente consideram essa transação uma ameaça.

O chefe do programa nuclear iraniano, Ali Akbar Salehi, afirmou hoje que o país considera construir duas novas plantas de enriquecimento de urânio a partir de março. O Irã já tem uma planta para enriquecer urânio, em Natanz, e constrói uma segunda, perto da cidade sagrada de Qom, em uma zona montanhosa. Salehi disse que as novas plantas devem ficar escondidas entre montanhas, para evitar "quaisquer ataques".

Na semana passada, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou que Israel estava planejando uma guerra contra o Irã nos próximos meses, mas ainda não tomou uma decisão final. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, negou a versão.

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou que um ataque preventivo ao Irã seria "um desastre". Em entrevista ao jornal El País publicada hoje, Erdogan afirma que é preciso seguir negociando com Teerã. Questionado sobre um possível ataque, o líder turco afirmou que isso representaria "um desastre para a região, um desastre de consequências imprevistas". "Seria algo inimaginável, que eu nem quero imaginar", afirmou.

Embargo

Também hoje, Netanyahu renovou seu pedido para que a comunidade internacional imponha um embargo de petróleo ao Irã por causa do programa nuclear do país. "Nós devemos proibir as exportações de petróleo e as importações de produtos refinados de petróleo pelo Irã. Nenhuma outra sanção será eficaz", apontou Netanyahu. Israel vê o Irã como seu principal inimigo desde que o presidente iraniano afirmou que o país deveria ser "varrido do mapa" do Oriente Médio.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, criticou um relatório divulgado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) na sexta-feira. Firmado pelo diretor-geral da AIEA, Yukio Amano, o documento demonstra preocupação com o programa nuclear iraniano.

Segundo Mottaki, o texto mostra que Amano não tem experiência suficiente para o cargo. O diplomata japonês assumiu o cargo no início de dezembro, no lugar do egípcio Mohammad ElBaradei. Para o ministro iraniano, Amano tem um "longo caminho" até obter a mesma experiência de ElBaradei. As informações são da Dow Jones.

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