Abedin Taherkenareh/Efe
Abedin Taherkenareh/Efe

Irã retomará diálogo sobre programa nuclear em abril

Turquia oferece Istambul como sede da negociação e premiê turco pode ter papel de mediador no encontro

28 Março 2012 | 21h41

TEERÃ - O ministro das Relações Exteriores do Irã, Ali Akbar Salehi, disse ontem que as conversas sobre o programa nuclear do país serão retomadas em abril. O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, que se reuniu ontem com o chanceler iraniano em Teerã, ofereceu Istambul como sede das reuniões, que ocorreriam no dia 13.

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"Conversamos com a outra parte, o Grupo 5+1 (EUA, Rússia, Grã-Bretanha, França, China e Alemanha), e estamos esperando os resultados da consulta", disse Erdogan, que deverá ter o papel de mediador nas negociações.

 

Na visita ao Irã, uma das missões de Erdogan é comunicar aos iranianos as decisões tomadas na Cúpula de Segurança Nuclear, realizada esta semana em Seul, e o conteúdo das conversas que teve com o presidente dos EUA, Barack Obama.

 

Na capital iraniana, Erdogan se reunirá com o presidente Mahmoud Ahmadinejad para debater o programa nuclear do Irã. Os dois também deverão discutir o conflito na Síria – enquanto Teerã apoia o regime de Damasco, os turcos são favoráveis à oposição que luta para derrubá-lo.

 

Negociação. Uma fonte diplomática de Teerã disse ontem que o negociador nuclear iraniano, Saeed Jalili, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, e Catherine Ashton, chefe da diplomacia da União Europeia, estão em contato para decidir a sede da nova rodada de negociações o mais breve possível.

 

O encontro entre negociadores iranianos e representantes da comunidade internacional ocorre depois da intensificação das sanções econômicas impostas ao país pela União Europeia e pelos EUA.

 

O governo iraniano afirma que as atividades em suas usinas têm fins pacíficos e rejeita interromper seu programa nuclear. De acordo com as potências ocidentais, o Irã estaria apenas ganhando tempo até ter capacidade para fabricar uma bomba atômica.

 

Ataque de Israel. As novas sanções de americanos e europeus afetaram, principalmente, as exportações de petróleo do Irã, uma das principais fontes de receita do país. A situação agravou-se ainda mais depois que Washington e Bruxelas começaram a pressionar países asiáticos, como Japão e China, a cortar suas importações de petróleo iraniano.

 

Diplomatas ocidentais disseram ontem que estão pessimistas com relação ao sucesso da nova rodada de negociações em razão dos antecedentes do Irã. Analistas, contudo, afirmam que a notícia de que Teerã retomaria o diálogo com o Ocidente serviria para evitar um ataque aéreo imediato de Israel às usinas iranianas.

 

"Acho muito difícil que os israelenses ataquem o Irã neste momento, pelo menos enquanto as negociações sobre o programa nuclear iraniano estiverem em curso", disse Gala Riani, analista da agência Control Risks, com sede em Londres.

 

REUTERS, AP e EFE

 
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