Gabinete da Presidência do Irã / EFE
Gabinete da Presidência do Irã / EFE

Irã retomará enriquecimento de urânio em central ao sul de Teerã

Local está inativo desde a entrada em vigor do acordo sobre o programa nuclear iraniano; medida é parte do plano de redução de compromissos do país em resposta à saída dos EUA do tratado

Redação, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2019 | 06h50

TEERÃ - O presidente do Irã, Hassan Rohani, anunciou nesta terça-feira, 5, uma nova redução dos compromissos assumidos pelo país com a comunidade internacional a respeito de seu programa nuclear.

O Irã reiniciará o enriquecimento de urânio na central de Fordo (180 km ao sul de Teerã), inativa desde a entrada em vigor do Acordo de Viena sobre o programa nuclear iraniano assinado em 2015, declarou Rohani.

Com base no tratado, Teerã armazena em Fordo 1.044 centrífugas de primeira geração IR-1, recordou o presidente em um discurso exibido pela TV estatal.

"A partir de amanhã, começaremos a injetar gás (urânio em estado gasoso) em Fordo", anunciou Rohani, em referência ao procedimento utilizado para produzir urânio enriquecido em isótopo 235 a partir destas máquinas.

Quarta etapa do plano

Esta é a "quarta etapa" do plano de redução de compromissos na área nuclear iniciado em maio, em resposta à saída do governo dos Estados Unidos do Acordo de Viena em 2018, indicou o presidente iraniano.

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Os detalhes do acordo nuclear negociado em 2015 com o Irã

Teerã e o grupo P5+1 (EUA, Grã-Bretanha, França, Rússia, China mais Alemanha) colocaram fim ao impasse de anos sobre o programa nuclear iraniano

O anúncio não é uma surpresa, pois na segunda-feira chegou ao fim um novo prazo de 60 dias que a República Islâmica havia anunciado a seus sócios no tratado para ajudar o país a evitar as sanções restabelecidas pelos EUA.

Rohani afirmou que as atividades nucleares em Fordo continuarão sob controle da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), assim como as demais atividades nucleares iranianas, submetidas ao regime de inspeção mais rígido implementado pelo organismo da ONU.

O presidente iraniano apresentou ainda um novo prazo de dois meses aos Estados signatários do Acordo de Viena (Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha) para uma resposta aos pedidos do Irã. Caso isto não aconteça, o país reduzirá ainda mais seus compromissos.

Irã quer sobrevivência do acordo

Com o acordo, Teerã aceitou reduzir drasticamente suas atividades nucleares - para garantir seu caráter exclusivamente civil - em troca de uma suspensão das sanções internacionais que asfixiam sua economia.

A saída dos EUA e a política de "pressão máxima" do governo do presidente Donald Trump contra Teerã privam o Irã dos benefícios econômicos que esperava obter com o tratado.

A República Islâmica afirma que deseja a sobrevivência do acordo e está disposta a voltar a honrar completamente seus compromissos, desde que as outras partes respeitem os próprios pontos, adotando medidas concretas para responder a seus pedidos e permitindo especialmente a exportação do petróleo iraniano. / AFP

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