Hamid Foorotan/REUTERS/ISNA
Hamid Foorotan/REUTERS/ISNA

Irã reúne urânio suficiente para uma bomba nuclear, aponta agência

Relatório afirma que, após EUA romperem acordo, enriquecimento de urânio é usado como pressão pelo fim de sanções

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de março de 2020 | 06h00

O crescente estoque iraniano de combustível nuclear acaba de ultrapassar um limite crítico, de acordo com um relatório divulgado na terça-feira, 3, por inspetores internacionais. 

Pela primeira vez, desde que o presidente dos EUA, Donald Trump, abandonou o acordo nuclear de 2015, Teerã parece ter urânio enriquecido suficiente para produzir uma única arma nuclear, embora sejam necessários meses ou anos para fabricar uma ogiva e explodi-la a longas distâncias.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que monitora as capacidades nucleares e se reporta às Nações Unidas, disse que o Irã impediu seus inspetores de visitar três locais onde havia evidências de atividades nucleares.

O recém-nomeado diretor da agência, Rafael Mariano Grossi, um diplomata argentino que passou a maior parte de sua vida trabalhando em questões nucleares, disse que é urgente que “o Irã coopere imediatamente com a agência”, permitindo o acesso aos locais e respondendo a perguntas sobre “ possíveis materiais nucleares não declarados e atividades relacionadas a nucleares”.

A decisão de Trump de abandonar o que chamou de um acordo “terrível”, ao falar do pacto nuclear, surtiu um efeito não desejado pelos EUA. O Irã deixou de cumprir os rígidos limites do acordo sobre a produção de urânio para começar a reconstruir seu estoque.

Os líderes iranianos parecem ter permitido à AIEA documentar essas violações. “A situação é uma", disse Grossi em uma recente entrevista em Washington, a primeira desde que assumiu a agência. “O que estamos verificando é a gradual diminuição do cumprimento do acordo.”

Números da agência sugerem uma realidade preocupante. Em 2016, o Irã enviou para fora do país 97% de seu estoque de combustível de urânio, o suficiente para produzir mais de 14 armas. O país, então, ficou bem abaixo do limite de uma bomba durante a maior parte de 2019, limitando-se a um estoque de 300 kg ou 660 libras.

Mas agora, no seu esforço para pressionar a Europa a minar as sanções econômicas americanas, o Irã está de volta aos negócios.

Desde que o presidente Trump anunciou em 2018 que os EUA estavam se retirando do acordo, os estoques do Irã aumentaram. Em seu mais recente relatório, os inspetores atômicos que monitoram o país dizem que ele enriqueceu mais de mil quilos de urânio, o suficiente para criar o combustível para uma bomba atômica. 

Os últimos números, contidos em um relatório confidencial aos 171 países membros da agência, mostram que, pela primeira vez desde que o acordo nuclear entrou em vigor, o país ultrapassou mil quilos de combustível de urânio enriquecido em 4,5%. Se enriquecer ainda mais, para 90%, será suficiente para produzir uma única arma nuclear. A Casa Branca não comentou o relatório. / NYT

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.