Presidência do Irã / EFE
Presidência do Irã / EFE

Irã diz que está enriquecendo mais urânio do que antes de acordo nuclear

Fontes de inteligência de Israel garantem que, no ritmo atual, o país teria material suficiente para fabricar uma bomba atômica até o fim do ano

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de janeiro de 2020 | 12h58

TEERÃ - O presidente do Irã, Hassan Rohani, afirmou ontem que o enriquecimento de urânio do país é hoje maior do que antes da assinatura do acordo de 2015, que limitava o programa nuclear iraniano. Fontes de inteligência de Israel garantem que, no ritmo atual, o Irã teria material suficiente para fabricar uma bomba atômica até o fim do ano. 

As mesmas fontes, segundo publicaram os principais jornais israelenses, afirmam que, no fim de 2020, ainda que tenha urânio enriquecido em quantidade suficiente, o Irã não teria um míssil capaz de levar uma ogiva. Eles precisariam de mais dois anos, segundo Israel, para desenvolver tal capacidade. 

O Irã nega que o objetivo final seja obter uma arma nuclear. Rohani, arquiteto do acordo de 2015, reforçou ontem sua disposição de continuar o diálogo, mesmo abandonando gradativamente os compromissos do pacto. “Hoje, não temos restrições no campo da energia nuclear”, afirmou o presidente iraniano. “Nosso enriquecimento diário é superior ao que era antes do acordo.”

Em 2015, após quase 20 meses de negociações, o governo americano, então presidido por Barack Obama, firmou um acordo com o Irã que limitava o enriquecimento de urânio, o uso de centrífugas e garantia inspeções regulares da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Em troca, os EUA suspenderiam as sanções que vinham sufocando a economia iraniana. O pacto também foi firmado por China, França, Reino Unido, Rússia e Alemanha.

Durante a campanha eleitoral e após a posse como presidente, em 2017, Donald Trump nunca escondeu sua insatisfação com o acordo. Segundo ele, “o pior da história”. Em maio de 2018, ele retirou os EUA do pacto e restabeleceu as sanções, ainda que contra a vontade dos aliados europeus, que diziam que o Irã estava cumprindo os termos que haviam sido assinados. 

Em resposta à decisão de Trump de retirar os EUA do pacto e restabelecer sanções ao Irã, Teerã vem reduzindo lentamente seu compromisso com os pontos principais do acordo. 

Especialistas alertam que, caso o Irã retome o enriquecimento em níveis mais altos, haverá um corte no chamado “tempo de ruptura” – o tempo estimado para chegar ao combustível nuclear necessário para fabricar uma bomba. 

Reino Unido, França e Alemanha ainda tentam salvar o acordo. No ano passado, eles anunciaram a criação de um mecanismo para driblar o sistema financeiro de transações internacionais, que é usado pelos EUA para bloquear o comércio de qualquer país com o Irã. A ferramenta foi batizada de “Instrumento de Apoio às Trocas Comerciais” (Instex, em inglês). 

O Instex deveria funcionar como uma câmera de compensação: empresas europeias que exportam para o Irã receberiam pagamentos de outras firmas europeias que importam do Irã. Assim, o dinheiro não circularia por nenhum sistema internacional sujeito à pressão americana. O problema é que o mecanismo nunca decolou de fato, principalmente porque muitas empresas avaliam que é arriscado bancar uma disputa com os EUA. /AP, REUTERS, NYT e AFP

 

 

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