Irã: Rohani adverte contra 'excesso de exigências'

O presidente do Irã, Hassan Rohani, advertiu hoje contra o que chamou de "excesso de exigências" no âmbito das negociações em torno do futuro do programa nuclear de seu país. O alerta vem à tona um dia depois de o presidente da França, François Hollande, ter apresentado, durante visita a Israel, quatro exigências para aceitar um acordo com o Irã.

AE, Agência Estado

18 de novembro de 2013 | 15h53

"Houve um bom progresso nas recentes negociações em Genebra, mas todos precisam levar em conta que o excesso de exigências pode complicar a busca por uma solução na qual todos saiam ganhando", declarou Rohani.

No domingo, acompanhado do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, Hollande negou ser contra um acordo provisório, mas disse que quatro "exigências" precisam ser atendidas pelos iranianos se eles quiserem um acordo.

"A primeira exigência: colocar todas as instalações nucleares iranianas sob supervisão internacional; imediatamente. Segundo ponto: suspender o enriquecimento de urânio a 20%. Terceiro: reduzir o estoque existente. Por fim, parar a construção da usina (de água pesada) de Arak", declarou Hollande.

Também no domingo, em contrapartida, o governo iraniano informou que não vê necessidade de as potências com as quais negocia o futuro de seu programa nuclear reconhecerem explicitamente o direito ao enriquecimento de urânio, pois considera que isso já está claro no Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP).

Citado pela agência de notícias Isna, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, declarou que o direito ao enriquecimento de urânio é inegociável, mas não é necessário um reconhecimento explícito porque isso já está claro no documento.

O enriquecimento de urânio é um processo essencial para a geração de combustível usado no funcionamento das usinas nucleares. Em grande escala, o urânio enriquecido pode ser usado para carregar ogivas atômicas.

Os Estados Unidos e alguns de seus aliados suspeitam que o Irã desenvolva em segredo um programa nuclear bélico. O Irã, por sua vez, sustenta que seu programa nuclear é civil e tem finalidades pacíficas, como a geração de energia elétrica e o desenvolvimento de isótopos medicinais, estando de acordo com as normas do TNP.

A partir de quarta-feira, representantes do Irã e do grupo de potências formado por Alemanha, China, EUA, França, Reino Unido e Rússia voltarão a se reunir em Genebra para buscar um acordo sobre os rumos do programa nuclear iraniano. Fontes: Dow Jones Newswires e Associated Press.

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