Office of the Iranian Supreme Leader via AP
Office of the Iranian Supreme Leader via AP

Irã deixará acordo nuclear se não houver ‘garantias reais’ dos países europeus, diz Khamenei

Aiatolá qualificou o anúncio de Trump como ‘tolo e superficial’; para presidente do Parlamento iraniano, líder dos EUA ‘não tem capacidade mental para lidar com adversidades’

O Estado de S.Paulo

09 Maio 2018 | 08h02

TEERÃ - O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, exigiu nesta quarta-feira, 9, que os países europeus forneçam “garantias reais” para que Teerã permaneça no acordo sobre seu programa nuclear após a saída dos EUA, em uma decisão anunciada na véspera pelo presidente americano, Donald Trump.

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Em discurso televisionado, Khamenei se dirigiu aos defensores do pacto, como o presidente iraniano, Hassan Rohani, e afirmou que “se não houver uma garantia definitiva - e realmente duvido que haja - não poderemos seguir assim”.

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O aiatolá ressaltou ainda que o anúncio de Trump é “tolo e superficial”. “Ele disse mais de 10 mentiras em sua declaração. Ameaçou o regime e as pessoas, dizendo que eu farei isso e aquilo. Sr. Trump, eu lhe digo em nome do povo iraniano: você cometeu um erro.”

Para o presidente do Parlamento do Irã, Ali Larijani, o líder americano não está apto para o seu cargo. “Trump não tem capacidade mental para lidar com adversidades”, disse ele à assembleia em discurso ao vivo na TV estatal.

Membros do Parlamento queimaram uma bandeira de papel dos EUA e uma cópia simbólica do acordo iraniano, conhecido oficialmente como Plano de Ação Conjunta Global (JCPOA, na sigla em inglês), no início da sessão. Eles também gritaram “morte à América”.

“O abandono por Trump do acordo nuclear foi um show diplomático. O Irã não tem obrigação de honrar seus compromissos sob a situação atual”, disse Larijani. “É óbvio que Trump só entende a linguagem da força.”

Ásia

O governo da China pediu nesta quarta-feira a manutenção do acordo, lamentando a decisão de Trump.

Pequim, um dos signatários do pacto de 2015, "pede a todas as partes que atuem de forma responsável para retornar o mais rápido possível ao respeito a um acordo que contribui para preservar a paz no Oriente Médio", afirmou Geng Shuang, porta-voz do Ministério chinês das Relações Exteriores.

O presidente americano retirou os EUA do pacto na terça-feira, levantando o risco de um conflito no Oriente Médio, além de irritar aliados europeus e provocar incertezas em relação à oferta global de petróleo. / AFP e REUTERS

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