Irã saúda anúncio dos EUA sobre conversações bilaterais

O ministro de Relações Exteriores do Irã, Ali Akbar Salehi, saudou neste domingo a disposição dos Estado Unidos de realizar negociações diretas com Teerã a respeito do programa nuclear iraniano, mas não se comprometeu a aceitar a oferta, afirmando que Washington deve demonstrar intenções "justas e verdadeiras" para resolver a questão. Ele reclamou também da "retórica ameaçadora" de Washington.

Agência Estado

03 de fevereiro de 2013 | 13h01

Salehi afirmou que nenhuma "linha vermelha" iraniana vai ficar no caminho das negociações diretas com Washington, mas também destacou a profunda desconfiança entre os dois países.

O ministro iraniano falou na mesma conferência internacional de segurança na qual o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, declarou, no sábado, que os Estados Unidos estavam prontos para conversar diretamente com o Irã. Biden afirmou que Teerã deve mostrar sua seriedade e que Washington não vai entrar em conversações apenas "para se exercitar".

Washington havia indicado no passado que está preparado para negociações diretas com o Irã sobre a questão nuclear, mas nada de concreto havia sido anunciado até então.

Conversações envolvendo os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) - Estados Unidos, Rússia, França, Reino Unido e China - além da Alemanha, tiveram pouco progresso, enquanto várias rodadas de sanções internacionais reduziram as vendas de petróleo e transações financeiras do Irã.

A próxima rodada de negociações com as seis potências será realizada em 25 de fevereiro no Casaquistão, afirmou Salehi durante a conferência. Ele afirmou que as declarações de Biden marcaram "um passo adiante", mas indicou que iniciar conversações bilaterais com os Estados Unidos não será uma tarefa fácil.

"Não temos qualquer linha vermelha para negociações bilaterais no que diz respeito a um assunto em particular", afirmou Salehi. "Se o assunto é a questão nuclear, sim, estamos prontos para negociar, mas temos de ter certeza... que o outro lado vem com intenções verdadeiras, com desejo justo e verdadeiro de resolver o assunto."

Segundo Salehi será "contraditório" se os Estados Unidos expressarem sua prontidão para realizar conversações diretas "mas, por outro lado, usarem sua retórica ameaçadora de que tudo está sobre a mesa...essas coisas não são compatíveis uma com a outra". "Estamos prontos para um compromisso apenas se estivermos em pé de igualdade", disse ele.

O Irã afirma que não quer construir armas nucleares e argumenta que tem o direito de enriquecer urânio para seu programa civil de produção de energia, mas a suspeita persiste.

No mês passado, o Irã anunciou sua intenção de aumentar seu ritmo de enriquecimento de urânio, material que pode ser usado tanto em reatores como em ogivas nucleares. As informações são da Associated Press.

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