Irã se diz pronto para trocar urânio enriquecido dentro do país

País se recusava a aceitar proposta da AIEA e era ameaçado com sanções pela ONU

Agência Estado

17 de março de 2010 | 10h34

TEERÃ - O governo do Irã está pronto para entregar, de uma vez, 1.200 quilos de urânio pouco enriquecido em troca de combustível para seu reator em Teerã. A troca, porém, precisa ocorrer dentro do país, afirmou Ali Akbar Salehi, chefe do programa nuclear, segundo reportagem publicada nesta quarta-feira, 17, no jornal Jawan.

 

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Salehi disse que ele propôs anteriormente a entrega do urânio enriquecido em lotes de 400 quilos. "Mas isso não tem justificativa técnica, porque aqueles que querem produzir combustível (enriquecido a 20%) afirmam que essa quantidade não tem viabilidade econômica", afirmou Salehi, em entrevista ao diário.

 

"O que nós estamos dizendo agora é que estamos prontos para entregar a quantidade total de combustível de uma vez, com a condição de que a troca ocorra dentro do Irã e simultaneamente", disse ele. "Nós estamos prontos a integrar 1.200 quilos e receber 120 quilos de urânio enriquecido a 20%."

O Irã relutava em entregar os 1.200 quilos de urânio pouco enriquecido de uma vez, conforme previsto por um plano apoiado pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O plano foi anunciado em outubro, após conversas com as grandes potências, mas Teerã afirmava que pretendia entregar o urânio aos poucos.

Funcionários iranianos condenaram fortemente o plano da AIEA, afirmando que ele era uma estratégia para tomar o estoque de urânio do país. Eles chegaram a fazer uma proposta de comprar o urânio enriquecido a 20% no mercado internacional ou trocar o combustível em etapas, no território iraniano.

Salehi disse que o importante para o Irã é que a troca ocorra no próprio país e que haja garantias de que será recebido urânio enriquecido a 20%. Segundo ele, os membros da AIEA poderão monitorar as instalações iranianas "24 horas por dia", para garantir que não haja qualquer desvio.

Sanções

Países como EUA, Reino Unido e França pressionam o país e ameaçam com a imposição de sanções contra ele no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). O Irã já foi alvo de três rodadas de sanções, mas a China reluta em apoiar um novo pacote de sanções. Como membro permanente, Pequim tem poder de veto no conselho.

Washington teme que Teerã busque produzir armas nucleares. O país persa diz ter apenas fins pacíficos, como a produção de energia. Para se produzir uma bomba nuclear, é necessário ter urânio enriquecido a mais de 90%. As informações são da Dow Jones.

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