Irã sinaliza recusa de proposta sobre urânio enriquecido

Os quatro países envolvidos na negociação de Viena - Irã, Rússia, Estados Unidos e França - devem responder amanhã se aceitam o acordo que determina que 75% do urânio de baixo enriquecimento de Teerã seja processado na Rússia pelo período de um ano, reduzindo o risco de que o material sirva para a produção de armas nucleares. Hoje, o porta-voz do Parlamento iraniano Mohammad Reza Bahonar deu o primeiro sinal de que o governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad pode não assinar o documento.

AE-AP, Agencia Estado

22 de outubro de 2009 | 20h33

"Eles (o Ocidente) nos dizem: vocês nos dão seu urânio enriquecido a 3,5% e nós lhes daremos combustível para seu reator. Isso, para nós, não é aceitável", disse Bahonar à agência iraniana ISNA. Sua opinião, entretanto, não ecoa necessariamente a posição do regime iraniano.

EUA e França manifestaram-se favoráveis aos termos do acordo horas depois do encerramento da reunião de Viena, ontem. Na ocasião, o representante iraniano limitou-se a dizer que o documento seria detalhadamente estudado por seu governo dentro do prazo, que expira amanhã.

Em Washington, a declaração de Bahonar foi recebida com cautela. "Tenho certeza de que há muitas vozes em Teerã neste momento, mas nós esperaremos pela resposta das autoridades", disse o porta-voz do Departamento de Estado americano, Ian Kelly.

Em Jerusalém, o ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, foi mais cético sobre os benefícios do acordo. Para ele, a proposta apenas retardaria as pretensões nucleares iranianas durante um ano permitindo que, em seguida, Teerã retomasse seu "plano real para atingir a capacidade nuclear".

O enriquecimento de urânio é um processo essencial para a geração de combustível usado no funcionamento das usinas nucleares. Em grande escala, o urânio enriquecido pode ser usado para carregar ogivas atômicas. Os Estados Unidos e alguns de seus aliados suspeitam que o Irã desenvolva em segredo um programa nuclear bélico. O Irã sustenta que seu programa nuclear é civil e tem finalidades pacíficas, estando de acordo com as normas do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, do qual é signatário.

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