Irã, Síria e EUA participarão de reunião em Bagdá, diz Iraque

Representantes dos Estados Unidos, do Reino Unido e de nações que fazem fronteira com o Iraque se reunirão em março em Bagdá para discutir formas de conter a violência no país, disse nesta terça-feira, 27, o chanceler iraquiano, Hoshiyar Zebari. Zebari disse que a reunião em meados de março seria uma chance para o Ocidente e as potências regionais, incluindo Irã e Síria, tentarem resolver algumas de suas diferenças. "Nossa esperança é que isso seja uma tentativa de quebrar o gelo, para talvez realizar outras reuniões no futuro. Queremos que o Iraque, ao invés de ser uma questão que divide, seja uma questão que une", disse Zebari por telefone, durante visita à Dinamarca. O Iraque planeja essa reunião há semanas, mas até terça-feira esperava-se apenas que ela envolvesse funcionários de países islâmicos. Os vizinhos do Iraque devem enviar seus vice-chanceleres ou alto funcionários, afirmou Zebari. Mas o ministro informou também que os embaixadores em Bagdá dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU também confirmaram presença. "Todos concordaram em participar, após árduas negociações." Um porta-voz da embaixada dos EUA não pôde ser encontrado para comentar. Uma porta-voz da embaixada britânica confirmou a participação do país no encontro, mas não informou em que nível. Sobre a possibilidade de os representantes norte-americanos manterem reuniões separadas com os iranianos e sírios, Zebari disse: "Queremos antes colocá-los todos dentro de uma sala, para então explorar outras possibilidades." Em dezembro, o Grupo de Estudos do Iraque sugeriu que Washington estabelecesse um diálogo direto com Damasco e Teerã na busca por ajuda para estabilizar o Iraque. Mas o governo de George W. Bush reagiu com frieza à idéia. Bush não descartava uma conferência regional envolvendo Irã e Síria, mas a Casa Branca sinalizava que caberia ao Iraque organizar isso. Washington acusa Teerã de alimentar a violência no Iraque. Nas últimas semanas, militares norte-americanos em Bagdá vêm apresentando o que dizem ser provas de contrabando de armas iranianas para o Iraque. Os EUA também acusam a Síria de permitir a infiltração de militantes estrangeiros por sua longa e porosa fronteira com o Iraque. Ambos os países negam as acusações.

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