Irã só negocia com UE caso acesso à tecnologia nuclear seja garantido

O ministro de Assuntos Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, reiterou hoje em Bruxelas a disposição de seu país em resolver de forma negociada a disputa nuclear com a comunidade internacional, mas insistiu em seu direito de ter tecnologia nuclear para uso pacífico. "Estamos dispostos a continuar (as negociações), mas deveríamos ver algum tipo de compromisso da outra parte", declarou Mottaki, após reunir-se com o alto representante para a Política Externa e de Segurança Comum da UE, Javier Solana. Esse compromisso, indicou o ministro, deve permitir a aspiração iraniana de "tornar realidade seu direito à tecnologia nuclear", que, segundo ressaltou, não teria fins militares. Mais cedo, a Comissão Européia (CE, braço executivo da UE) insistiu que uma solução negociada à disputa sobre o programa nuclear iraniano deve ser alcançada, mas insistiu que esse país deve suspender o enriquecimento de urânio para devolver a confiança à comunidade internacional e retomar o diálogo. A comissária européia de Relações Exteriores, Benita Ferrero-Waldner, ressaltou este ponto de vista durante uma reunião que manteve com Mottaki. "Continua havendo um forte desejo a favor de uma solução diplomática. Não temos intenção de isolar o Irã, mas esperamos que esse país não decida se isolar", disse após a reunião a porta-voz de Relações Exteriores da Comissão, Emma Udwin.A porta-voz afirmou que uma solução diplomática só pode ser conseguida se "houver medidas de criação de confiança após a falta de transparência do lado iraniano". Ela reconheceu que a situação atual, depois que o Irã retirou os lacres de algumas de suas usinas atômicas, "não é encorajadora", mas disse preferir esperar pelo próximo relatório do diretor do Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohammed El Baradei, para conhecer mais sobre a amplitude das atividades iranianas.Durante sua peregrinação diplomática entre autoridades européias, Mottaki também se reuniu com o ministro do Exterior belga, Karel de Gucht, e manifestou sua esperança de poder alcançar uma "solução pacífica" para o programa nuclear de seu país. Também afirmou que "já passou a hora das ameaças" em referência à possibilidade de o Conselho de Segurança da ONU aprovar sanções contra o regime de Teerã.

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