Irã só opera parte de suas 3 mil centrífugas, diz AIEA

O Irã opera apenas algumas centenas de centrífugas em sua usina de enriquecimento de urânio em Natanz, embora tenha sugerido já ter ativado 3 mil equipamentos, informou o chefe da agência nuclear da ONU nesta quinta-feira, 12.Segundo o chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei, o Irã ainda está nos estágios iniciais de criação de uma usina de enriquecimento de urânio, e as preocupações são mais por sua motivação do que pela escala de produção. "Há várias definições de produção em escala industrial. O Irã ainda está nos primeiros estágios de criação de uma usina de enriquecimento de urânio", disse ElBaradei, que qualificou de "preocupante" e "complicado" o caso nuclear iraniano.O chefe da agência atômica da ONU deu a declaração em entrevista coletiva concedida em Riad, capital da Arábia Saudita.No início da semana, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, anunciou que o país iniciou a produção de combustível nuclear em "escala industrial". Na mesma ocasião, membros do governo de Teerã deram a entender que 3 mil centrífugas estavam em operação. A ONU já aprovou duas resoluções impondo sanções contra o Irã pela manutenção de seu programa nuclear, que potências ocidentais desconfiam ter por finalidade a produção de armamentos. Além de rejeitar as acusações, Teerã mantém uma postura desafiadora, e na terça-feira disse que seu objetivo final é instalar 50 mil centrífugas para o enriquecimento de urânio. ElBaradei, no entanto, relativizou o progresso iraniano em Natanz. "O Irã está apenas nos primeiros estágios de desenvolvimento de seu complexo de enriquecimento em Natanz. Essa conversa sobre construir 50 mil centrífugas ainda está no início", disse ele. TransparênciaElBaradei afirmou que a AIEA não tem provas até agora sobre se o Irã tem instalações nucleares subterrâneas não anunciadas e pediu mais uma vez a Teerã que seja mais "transparente" se quiser assegurar à comunidade internacional que seu programa atômico tem fins pacíficos.Além disso, destacou a importância de que os iranianos ofereçam "garantias" que seu programa "não representa nenhuma ameaça para os países da região ou do mundo" e respeitem os princípios do Tratado de Não-Proliferação (TNP), do qual a república islâmica é um de seus signatários.Os responsáveis iranianos asseguram que suas atividades nucleares têm como objetivo gerar eletricidade, mas vários países ocidentais, especialmente os Estados Unidos, suspeitam que os planos iranianos têm fins militares."A preocupação não se origina apenas de o Irã conduzir uma produção em escala industrial, mas são mais as motivações iranianas por trás (do enriquecimento de urânio) antes de ter reatores nucleares para geração de energia elétrica que necessita de urânio enriquecido", afirmou ElBaradei.AmbiçõesOs negociadores nucleares iranianos anunciaram no domingo que operários começaram a injetar gás de urânio nas 3 mil centrífugas, um largo salto sobre as 328 que estavam previamente operando em Natanz. O país almeja colocar mais de 50 mil em funcionamento.O diretor do Organismo de Energia Atômica iraniano, Gholam Reza Aghazadeh, afirmou que o país tem "tudo planejado" para instalar 50 mil centrífugas na central de enriquecimento de urânio em Natanz, no centro do país.O principal negociador iraniano no caso nuclear, Ali Larijani, comentou na quarta-feira as dúvidas no Ocidente sobre a capacidade do Irã de enriquecer urânio em escala industrial. "Se duvidam, por que então nos pressionam por nosso programa nuclear?", perguntou.Ahmadinejad afirmou nesta semana que o Irã conseguiu a capacidade de produzir combustível nuclear em escala industrial, para o qual necessitaria de pelo menos 3 mil centrífugas em funcionamento, o que reafirma o mesmo número.Texto ampliado às 12h48.

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