Irã: sunitas e xiitas discutem como combater extremistas

Clérigos muçulmanos sunitas e xiitas de cerca de 80 países reuniram-se neste domingo na cidade sagrada de Qom, no Irã, para desenvolver uma estratégia de combate ao extremismo islâmico, inclusive ao Estado Islâmico, grupo que assumiu o controle de regiões importantes do Iraque e da Síria.

AE-AP, Estadão Conteúdo

23 de novembro de 2014 | 17h17

O Irã, de maioria xiita, tem ajudado os Exércitos da Síria e do Iraque e as milícias curdas no combate ao Estado Islâmico, um grupo sunita, enquanto os EUA e seus aliados europeus e árabes lançam ataques aéreos contra os extremistas. O Estado Islâmico vê os xiitas como apóstatas que merecem a morte, e já executou centenas de soldados sírios e iraquianos capturados, assim como sunitas vistos como rivais.

O grão-aiatolá Nasser Makarem Shirazi, principal organizador da conferência, apelou por um consenso entre as duas correntes principais do Islã, sunitas e xiitas, e exortou todos os clérigos muçulmanos a desacreditar grupos que defendam posições extremistas.

"Ataques militares contra esse grupo depravado são necessários, mas insuficientes, As raízes de sua ideologia violenta precisam secar. Isso é trabalho para os clérigos e intelectuais muçulmanos, pregar a verdade, a face moderada do Islã, e expor a face feia da ideologia do Estado Islâmico", disse Shirazi, um proeminente clérigo xiita que tem muitos seguidores no Irã e no exterior.

O ministro das Relações Exteriores do Iraque, Ibrahim al-Jaafari, também xiita, disse na conferência que o Estado Islâmico é a maior ameaça ao Islã. "Eles foram criados para minar o Islã e destruir as sociedades muçulmanas. O Estado Islâmico mata tanto xiitas como sunitas", afirmou.

O intelectual sunita Abdolrahman Sarbazi, que lidera as orações das sextas-feiras em uma região no Sul do Irã onde vivem muitos sunitas, disse que "os muçulmanos sunitas também condenam as práticas violentas dos takfiris, que são uma ameaça à humanidade". Takfiri é uma palavra árabe que significa "extremista".

Outros participantes do encontro repetiram teorias da conspiração que têm circulado no mundo islâmico, de que os EUA e Israel criaram o Estado Islâmico para semear a discórdia no mundo muçulmano. "O Estado Islâmico é um fantoche, cujo trabalho é aprofundar as divisões entre os muçulmanos", disse Mahdi Alizadeh Mousavi, um clérigo xiita muçulmano de graduação mais baixa. Fonte: Associated Press.

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