Presidência do Irã/EFE
Presidência do Irã/EFE

Irã ameaça enriquecer urânio acima do permitido por acordo a partir de 7 de julho

Presidente Hassan Rohani diz que se países europeus não implementarem formas de amenizar as sanções dos EUA em 4 dias passará a enriquecer o minério em taxas acima de 3,67% 'tanto quanto desejar e necessitar'

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2019 | 06h50
Atualizado 03 de julho de 2019 | 22h56

TEERÃ - Ignorando as advertências de seus inimigos e também de seus parceiros, o Irã anunciou nesta quarta-feira, 3, que pretende produzir a partir de domingo urânio enriquecido a um nível superior ao limite de 3,67% - suficiente para ser usado na geração de energia, mas muito abaixo do necessário para produzir armas - fixado pelo acordo nuclear de 2015

O presidente Hassan Rohani anunciou a medida ao conselho de ministros e reiterou suas críticas a Estados Unidos, Europa, China e Rússia, acusados por Teerã de serem os responsáveis pela paralisação atual do acordo concluído em Viena.

Rohani indicou que a decisão foi motivada pelo fato dos outros Estados signatários do acordo não respeitarem, segundo ele, a totalidade de seus compromissos com o Irã. O anúncio ocorre em meio à fortes tensões com os EUA que elevaram o temor de um conflito no Golfo Pérsico.

"Em 7 de julho nosso grau de enriquecimento deixará de ser 3,67%. Deixamos de lado este compromisso. Vamos elevar acima de 3,67% tanto quanto desejarmos e na quantidade que necessitarmos", declarou Rohani, de acordo com um vídeo exibido pela televisão pública.

Em 2015, o Irã se comprometeu a não produzir nunca armamento atômico e a limitar seu programa nuclear em troca da suspensão parcial das sanções internacionais que asfixiavam sua economia.

Mas o acordo está sob ameaça desde que o governo dos Estados Unidos se retirou unilateralmente do pacto em maio de 2018, o que provocou a retomada das sanções econômicas contra a República Islâmica, privando o Irã dos benefícios que esperava obter com o pacto.

No dia 8 de maio  - exatamente um ano após a saída de Washington - Teerã anunciou um ultimato aos demais Estados signatários do acordo, com o prazo de 60 dias para ajudar o país a evitar as sanções dos Estados Unidos, que voltaram a levar o Irã à recessão.

Caso não tivesse a demanda atendida, o Irã ameaçava retomar as atividades de enriquecimento de urânio a um nível superior ao fixado, assim como reativar o projeto de reator na Usina de Arak. Em janeiro de 2016, como exigido pelo pacto, o Irã informou que retirou o miolo do reator e o encheu de cimento.

“De (7 de julho) em diante com o reator de Arak, se vocês não operarem (de acordo com) o programa e cronograma de todos os compromissos que nos deram, colocaremos o reator de Arak em sua condição anterior”, afirmou Rohani.

Preocupação extrema

Em uma declaração direcionada aos demais países que ainda integram o acordo (Alemanha, China, França, Grã-Bretanha e Rússia), Rohani declarou: "Se querem dizer que lamentam, agora é muito tarde. E se querem publicar um comunicado, façam agora".

"Nós seguiremos respeitando (o acordo de Viena) desde que as outras partes o respeitem. Aplicaremos 100% (do acordo) no dia em que as demais partes o fizerem 100%", completou o presidente iraniano.

Rohani anunciou que seu país começará a aplicar no domingo a segunda fase de seu "plano de redução" de seus compromissos, reversível a qualquer momento se os outros países responderem às demandas de Teerã.

Segundo o presidente iraniano, o país aplica atualmente 98% dos termos do acordo de 2015 enquanto que os outros países não cumprem "nem ao menos 10%". "Passem para 98% que nós voltaremos a 100%", prometeu.

Na segunda-feira, o Irã superou o limite de 300kg de reservas de urânio de baixo enriquecimento. Em resposta, Trump alertou que o país "estava brincando com fogo".

"Os EUA e seus aliados nunca permitirão que o Irã desenvolva armas nucleares", advertiu a Casa Branca, completando que Washington continuaria com sua campanha de "pressão máxima" contra Teerã.

Preocupados com o aumento das reservas de urânio, Alemanha, Inglaterra, França e a União Europeia pediram que os iranianos "reconsiderem sua decisão e se abstenham de tomar novas medidas que debilitariam o acordo".

A China, por sua vez, exortou todas as partes a atuar "com moderação" enquanto que a Rússia pediu ao Irã que "não ceda à emoção e respeite todas as disposições essenciais do acordo". / AFP, EFE, REUTERS e AP

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