Irã tem de atender todas as exigências da ONU, diz Ban

O secretário-geral da Organizaçãodas Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, disse na segunda-feiraque o Irã precisa cumprir todas as exigências do Conselho deSegurança, inclusive a suspensão de seus programas deenriquecimento, e não apenas cooperar com inspetores nuclearesinternacionais. Recém-chegado do Sudão, do Chade e da Líbia, osecretário-geral foi questionado sobre um acordo entre Teerã ea Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão daONU) que estipula etapas e prazos para que o Irã responda atédezembro às dúvidas sobre seu programa nuclear. Várias potências ocidentais criticaram o acordo, dizendoque ele permite que Teerã mantenha seu programa deenriquecimento de urânio, processo que pode gerar combustívelpara armas nucleares. "Sei que houve um acordo entre a AIEA e o Irã sobre planospara o futuro trabalho a respeito disso", disse Ban em seusprimeiros comentários sobre o acordo. "Sei que há algumasdiferenças no entendimento e nas expectativas." "O importante a esta altura é que, além do que a AIEA vemnegociando e discutindo com o governo iraniano, o governoiraniano deve cumprir plenamente as resoluções do Conselho deSegurança --isso é o central." O diretor-geral da AIEA, Mohamed El Baradei, admitiu nasegunda-feira em Viena que o plano é limitado e por si só nãoabsolve o Irã de todas as suspeitas, apesar de Teerã declarar,desde a adoção do acordo, em 21 de agosto, que se trata de umassunto encerrado. O Irã vem montando em Natanz cerca de 3.000 centrífugas queseriam necessárias para a produção de combustível em escalaindustrial. O Conselho de Segurança da ONU já aprovou doispacotes com sanções contra o Irã, que insiste no caráterpacífico de seu programa atômico. Estados Unidos, Grã-Bretanha e França, que suspeitam dodesenvolvimento de armas nucleares pelo Irã, discutem umterceiro pacote com sanções, mas para isso precisam do aval deRússia e China, que também têm poder de veto no Conselho. Os cinco países, mais a Alemanha, vêm discutindo a questãopor telefone e devem tratá-la também durante a Assembléia Geralda ONU, neste mês, embora não haja nenhum texto previsto paraas próximas semanas, disse o embaixador da França na ONU,Jean-Maurice Ripert. (Colaborou Mark Heinrich em Viena)

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