AFP PHOTO / IRIB TV
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Irã testa com sucesso novo míssil balístico de médio alcance

Armamento teria capacidade para transportar várias ogivas convencionais e atingir vários alvos de uma vez, segundo comandante da força aeroespacial da Guarda Revolucionária; lançamento acontece em contexto de tensão entre o Irã e EUA

O Estado de S.Paulo

23 Setembro 2017 | 08h23
Atualizado 23 Setembro 2017 | 17h55

TEERÃ - O Irã testou com sucesso seu novo míssil balístico, batizado de "Khoramshahr", com um alcance de 2.000 km e capaz de transportar várias ogivas, anunciou neste sábado, 23, a televisão estatal iraniana.

A televisão difundiu imagens do lançamento de Khoramshahr e do interior do míssil. A data do teste não foi comunicada, mas, na véspera, o míssil foi exibido em um desfile militar que recordou a guerra desatada pelo Iraque contra o Irã em 1980.

O lançamento do míssil acontece em um contexto de tensão entre o Irã e os Estados Unidos, uma vez que o presidente americano Donald Trump ameaça não respeitar o acordo nuclear assinado em 2015 entre a república islâmica e os cinco principais membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia e China) e a Alemanha.

O acordo nuclear não proíbe as atividades balísticas por parte do Irã, mas a resolução 2231 do Conselho de Segurança da ONU, que o ratificou, pede que Teerã não realize testes para desenvolver mísseis elaborados para transportar ogivas nucleares.

Os iranianos afirmam que os mísseis de seu país não foram criados para incorporar ogivas nucleares e que, além disso, Teerã não tem qualquer programa para fabricar armas nucleares.

"O míssil Khoramshahr, de 2.000 km de alcance, pode transportar várias ogivas convencionais para atingir vários objetivos de uma vez", disse o general Amir Ali Hadjizadeh, comandante da força aeroespacial da Guarda Revolucionária, citado pela agência estatal Irna.

O Irã já possui outros dois mísseis, o Ghadr-F e o Sekhil que, com seus 2.000 km de alcance, podem alcançar Israel, arqui-inimigo do país, e as bases americanas da região. Na sexta-feira, o presidente iraniano Hassan Rohani afirmou que o Irã se negava a limitar seu programa balístico. 

'Dissuasão'

"Queiram ou não, vamos reforçar nossas capacidades militares necessárias em termos de dissuasão", declarou Rohani durante o desfile militar. "Não só vamos desenvolver nossos mísseis, como também nossas forças aéreas, terrestres e marítimas. Para defender nossa pátria, não pediremos permissão de ninguém."

O Irã desenvolveu um vasto programa balístico nos últimos anos, que preocupa os Estados Unidos e também a Arábia Saudita, sua principal rival na região, Israel, seu grande inimigo, e alguns países europeus, como França.

Teerã argumenta que precisa reforçar seu programa balístico para estar em equilíbrio com os outros países da região, principalmente os sauditas e os israelenses, que investem milhões de dólares na compra de armas dos países ocidentais, especialmente dos EUA.

No próximo dia 15 de outubro, Trump deve notificar ao Congresso se o Irã respeita seus compromissos referentes ao acordo. Se disser que não, o Congresso poderá impor novas sanções contra Teerã. No entanto, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) assinalou em várias ocasiões que o Irã está cumprindo com seus compromissos. / AFP, EFE e REUTERS

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