Irã testa mísseis de longo alcance e provoca tensão

O Irã testou hoje dois mísseis de longo alcance que, segundo o país, poderiam atingir seu arqui-inimigo Israel. Os testes ocorreram durante o segundo dia de simulações militares feitas pela Guarda Revolucionária. O exercício coincide com o aumento das tensões entre o regime iraniano e o Ocidente, após a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) informar, na sexta-feira, que Teerã afirmou estar construindo uma segunda instalação para enriquecer urânio.

AE, Agencia Estado

28 de setembro de 2009 | 09h11

O processo de enriquecimento de urânio pode ser usado tanto para fins pacíficos como para a produção de armas. Vários países, entre eles Estados Unidos e Israel, temem que Teerã busque em segredo armas nucleares. Os iranianos alegam ter apenas fins pacíficos, como a produção de energia.

A Guarda Revolucionária informou ontem sobre o lançamento de mísseis, na chamada semana da "Defesa Sagrada", lembrando a guerra entre Irã e Iraque nos anos 1980. Hossein Salami, comandante da força aérea da Guarda Revolucionária, disse hoje que foram testadas as versões Sejil e Shahab-3 de mísseis de longo alcance. As declarações foram divulgadas pela emissora estatal Al-Alam. A agência Fars disse que o Sejil foi testado pela primeira vez durante manobras com mísseis.

Segundo o Irã, esses mísseis têm alcance de aproximadamente dois mil quilômetros, podendo assim atingir Israel, a maioria dos Estados árabes e parte da Europa, incluindo grande parte da Turquia. Ontem, foram testados vários mísseis de curto e médio alcances, segundo a imprensa estatal. "Nossa resposta será forte e destrutiva àqueles que ameaçarem a existência, independência, liberdade e os valores de nosso regime. Eles se arrependerão disso", afirmou Salami, segundo a agência estatal Irna.

Escudo antimísseis

As manobras ocorrem após o presidente dos EUA, Barack Obama, desistir neste mês de um plano, concebido na administração George W. Bush, para criar um escudo antimísseis no leste europeu. Seriam instalados componentes militares norte-americanos na Polônia e na República Checa. A Rússia criticava o plano dos EUA. Washington afirmava que sua única preocupação era com o Irã e acabou reformulando a iniciativa. Ao anunciar a decisão, Obama enfatizou a ameaça dos mísseis de curto e médio alcance do Irã.

O regime iraniano já ameaçou no passado atingir bases norte-americanas na região e bloquear o estratégico golfo do Estreito de Hormuz, pelo qual passam muitos petroleiros, caso seja atacado. Israel e EUA não descartam uma ação militar contra o país.

O Irã e seis potências mundiais - EUA, Rússia, China, Grã-Bretanha, França e Alemanha - se encontrarão em Genebra, na quinta-feira, para discutir o programa nuclear iraniano. Os países pressionam o Irã para que interrompa seu programa nuclear, mas Teerã argumenta que tem direito a possuir um programa pacífico. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano afirmou que não há "qualquer vínculo" entre os testes de mísseis e a controvérsia nuclear.

Crítica

A França afirmou, por meio de um comunicado do Ministério das Relações Exteriores, estar preocupada com as recentes notícias sobre os testes do Irã com mísseis. Paris pediu que Teerã interrompa suas "atividades profundamente desestabilizadoras". O governo francês reiterou a importância de o Irã negociar o fim de suas atividades nucleares e pediu que o regime escolha "o caminho da negociação, não o da confrontação".

Já uma fonte do Ministério das Relações Exteriores russo afirmou, segundo a agência Interfax, que o mundo não deve "sucumbir a emoções", após o anúncio dos testes do Irã. O governo russo em geral resiste mais a impor novas sanções ao país persa. As informações são da Dow Jones.

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