Irã testa mísseis e alerta sobre possível guerra com EUA

Em meio a alertas de que os Estados Unidos poderiam estar preparando um possível ataque militar contra o Irã, a Guarda Revolucionária iraniana deu início nesta segunda-feira a exercícios militares na região central do país, com o objetivo de testar dois modelos de mísseis nacionais.O "bater de tambores" sugere que Teerã não pretende ceder às pressões internacionais, em um momento de crescente tensão entre o Ocidente e o Irã. As potências ocidentais acusam o Irã de querer produzir armas nucleares, mas os iranianos afirmam que só querem dominar a tecnologia nuclear para gerar energia elétrica com fins pacíficos. Além disso, os Estados Unidos acusam o Irã de apoiar grupos terroristas no Iraque, o que estaria influindo sobre a impossibilidade de paz no país árabe.Em outra atitude desafiante, funcionários iranianos disseram nesta segunda-feira que Teerã rejeitou os nomes de 38 inspetores da ONU de uma lista de possíveis enviados ao país. A medida é aparentemente uma retaliação contra uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que impôs sanções limitadas contra o país.Os outros nomes contidos na lista seriam liberados para entrar no país, esclareceu o ministro de Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, sem dar maiores detalhes.Desde que o presidente George W. Bush anunciou o envio de mais um porta-aviões para o Golfo Pérsico, no último dia 9, em uma medida que fontes militares americanas confirmaram ser uma demonstração de força ao Irã, líderes iranianos têm ampliado os alertas diante da possibilidade de um ataque americano ao país.Nesta segunda-feira, um jornal próximo ao supremo líder iraniano, Aiatolá Ali Khamenei, ampliou as vozes que ameaçam uma retaliação contra qualquer ação militar dos Estados Unidos. O alerta sugere que os mais altos escalões do regime iraniano estão empenhados em responder ao envio do porta-aviões ao Golfo Pérsico.Em artigo, o editor do diário Keyhan, que foi nomeado por Khamenei, diz o Irã transformará o Oriente Médio em um "inferno" caso os Estados Unidos declarem guerra contra Teerã."Os militares americanos estão ao nosso alcance tanto no leste como no oeste", escreveu Hossein Shariatmadari. "Com misses atirados do Irã, Israel se transformará em um inferno escaldante para os sionistas."Embora desafiadores, os avisos podem ser interpretados também como uma tentativa de ampliar o apoio da população ao governo, silenciando as crescentes críticas que o presidente Mahmoud Ahmadinejad tem recebido em casa. Reformistas iranianos e conservadores acusam Ahmadinejad de prejudicar o Irã com sua virulenta retórica anti-EUA, enquanto a economia do país não pára de se enfraquecer.MísseisDiante da possibilidade de um conflito, a Guarda Revolucionária iraniana iniciou nesta segunda-feira uma nova demonstração de força, testando mísseis de curto e médio alcance."Nos quatro dias de exercícios militares na região de Garmsar, os mísseis Zelzal-1 e Fajr-5 serão testados", informou a rádio estatal iraniana, citando como fonte um porta-voz da Guarda Revolucionária.Garmsar é uma cidadezinha a 100 km ao sul de Teerã, ao lado do deserto de mesmo nome.Não é a primeira vez que a Guarda demonstra e testa mísseis iranianos.Segundo a rádio, o Zelzal-1 tem um alcance de mais de 350 km, e o Fajr-5 é capaz de atingir alvos a mais de 70 km de distância. Alguns especialistas duvidam do alcance do Zelzal-1.A rádio disse que a Guarda Revolucionária começaria a disparar os mísseis ainda na segunda-feira. No ano passado, o Irã realizou vários exercícios de guerra, disparando inclusive alguns de seus mísseis Shahab-3, de longa distância.Os iranianos alegam que os projéteis podem atingir alvos a 2.000 km de distância, ou seja, conseguiriam atingir bases de Israel e dos EUA no Golfo.

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