Irã testa míssil com capacidade de atingir Israel

Exercício com Shahab-3 faz parte de série de testes anunciada como resposta ao embargo imposto pela União Europeia ao petróleo iraniano

TEERÃ, O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2012 | 03h04

O governo iraniano anunciou ontem ter testado um míssil de médio alcance capaz de atingir Israel. O exercício com o Shahab-3 é uma resposta ao embargo de petróleo imposto pela União Europeia ao país, em vigor desde domingo. Em suas primeiras declarações desde o início dos exercícios, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, criticou as sanções.

"O principal objetivo desse exercício é demonstrar a vontade política de defender os valores vitais e interesses nacionais", disse o vice-comandante da Guarda Revolucionária, Hossein Salami, à Press TV, canal iraniano em inglês.

Salami declarou também que os testes foram uma resposta aos inimigos do país, como Israel, que diz ter uma opção militar para impedir o Irã de construir uma bomba nuclear, algo que o regime nega que pretenda fazer. "As manobras são uma resposta às palavras rudes proferidas contra o Irã", disse o vice-comandante.

De acordo com a agência iraniana Fars, como parte do exercício "Grande Profeta 7", "dezenas de mísseis foram disparados contra simulações de bases aéreas". Aviões teleguiados devem ser testados hoje.

Recentemente, o Irã ameaçou fechar o Estreito de Ormuz, por onde é escoada a maior parte da produção de petróleo do Golfo Pérsico. Analistas, no entanto, contestam algumas declarações militares do Irã, dizendo que o país repetidamente exagera suas capacidades. Segundo Pieter Wezeman, do Stockholm International Peace Research Institute (Sipri), especialista em armamentos, falta precisão aos mísseis iranianos.

"A única utilidade deles em um possível confronto seria amedrontar o inimigo", afirmou. Segundo Wezeman, no entanto, os mísseis Shahab-3 poderiam ser adequados para carregar ogivas nucleares, especialmente as maiores.

Em 2010, o Sipri avaliou que todos os mísseis balísticos de Teerã são capazes de transportar uma carga nuclear, se o país for capaz de produzir uma bomba suficientemente pequena.

Reação. Os testes militares e outras atitudes do Irã alarmaram o mercado mundial de petróleo. Na segunda-feira, parlamentares iranianos propuseram uma lei exigindo que o país tente bloquear o trânsito de navios que passem pelo Estreito de Ormuz levando petróleo para os países que apoiam as sanções contra os iranianos.

Ontem, Ahmadinejad acusou a União Europeia de aplicar sanções desproporcionais ao país. "As sanções impostas são as piores já aplicadas contra um país", disse o presidente iraniano. "Nossos inimigos acham que podem enfraquecer o Irã com essas punições."

Em resposta aos testes, os EUA reforçaram sua presença militar no Estreito de Ormuz. Segundo o jornal The New York Times, a Marinha americana dobrou o número de navios que patrulham a área. A medida tem como objetivo também dar garantias a Israel. "A mensagem ao Irã é 'Nem pensem nisso'", disse uma fonte do Pentágono. / REUTERS

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