Ebrahim Noroozi/AP
Ebrahim Noroozi/AP

Irã testa novo míssil, enquanto Rohani pede acordo definitivo com Ocidente

Em meio a sinais contraditórios, Teerã anuncia sucesso em teste com foguete balístico de longo alcance e a criação de uma nova geração de centrífugas para enriquecer urânio

O Estado de S. Paulo,

10 de fevereiro de 2014 | 21h33

TEERÃ - A oito dias do retorno das negociações nucleares na Suíça, o Irã enviou na segunda-feira, 10, sinais contraditórios sobre suas intenções. Teerã anunciou ter testado com sucesso um míssil de longo alcance e o desenvolvimento de uma nova geração de centrífugas, capazes de enriquecer urânio mais rapidamente. Ao mesmo tempo, o presidente Hassan Rohani disse estar pronto para selar um "acordo global e definitivo".

Rohani congratulou "os filhos do Irã" e o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, pelo "teste com êxito" do míssil balístico Bina, capaz de atingir alvos como Israel, países da Península Arábica e bases dos EUA no Oriente Médio. Teerã mantém um programa balístico desde 1992 e o novo foguete - que poderia ser usado como vetor para uma bomba nuclear, caso o programa iraniano chegue a tal estágio - foi anunciado na véspera do 35.º aniversário da Revolução Islâmica.

"A nova geração de mísseis balísticos do Irã é capaz de escapar dos sistemas antimíssil, apontando para diferentes alvos com uma grande capacidade de destruição", disse o ministro da Defesa da república islâmica, Hosein Dehgan. O armamento é guiado a laser e pode ser disparado da terra ou por um avião, completou o ministro iraniano.

Na véspera, um grupo de parlamentares do bloco radical havia acusado Rohani de postergar testes com mísseis. Não está claro, entretanto, se eles se referiam ao Bina (palavra que em farsi significa "perspicaz").

Além do avanço na área balística, cientistas iranianos anunciaram a terceira geração de centrífugas nucleares produzidas com tecnologia local. Os aparelhos são capazes de enriquecer urânio com uma velocidade 15 vezes maior do que as primeiras centrífugas fabricadas no Irã.

Segundo o chefe da agência atômica iraniana, Ali Akbar Salehi, potências ocidentais foram informadas sobre as novas centrífugas durante as negociações que culminaram no acordo parcial sobre o programa iraniano, em novembro - o primeiro acerto diplomático sobre o tema em mais de uma década. Iranianos disseram que o equipamento seria usado apenas para pesquisas.

Segundo dados da ONU, o Irã detém 19 mil centrífugas, mas apenas uma parte está em operação: 10 mil da primeira geração (IR-1) e cerca de mil da segunda (IR-2), de três a cinco vezes mais rápida. A série anunciada deve ser usada para produção de isótopos médicos, segundo Salehi. Com o acordo de novembro, Teerã se comprometeu a não instalar mais centrífugas por até seis meses, prazo final para que o país e as grandes potências cheguem a um acordo definitivo.

Contramão. Em um discurso transmitido na TV estatal, o presidente Rohani garantiu que está aberto a selar um acordo que encerre de vez as suspeitas envolvendo o programa nuclear iraniano. "O Irã está disposto a conduzir negociações com o P5+1 (grupo formado por EUA, Rússia, China, França, Grã-Bretanha e Alemanha) para alcançar um acordo global e definitivo", disse o presidente, discursando diante de um grupo de embaixadores e autoridades estrangeiras.

No difuso e complexo sistema político da república islâmica, a palavra final sobre questões estratégicas, como o programa nuclear, não fica com o presidente, mas com o líder supremo. O chefe do governo, entretanto, tem a atribuição de conduzir negociações - indiretamente influenciando o tema.

Analistas acreditam que Rohani recebeu um mandato de Khamenei para tentar chegar a um acordo, embora poucos tentem adivinhar qual será a reação do líder supremo uma vez que os termos de um compromisso diplomático forem acertados com as grandes potências. / NYT, REUTERS e AP

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