REUTERS/Mahmood Hosseini
REUTERS/Mahmood Hosseini

Irã transferiu mísseis a milícias do Iraque em alerta para inimigos, dizem fontes

Teerã também estaria ajudando aliados xiitas a construir as próprias armas

O Estado de S.Paulo

31 Agosto 2018 | 17h28

BAGDÁ - O Irã enviou mísseis balísticos a aliados xiitas no Iraque e está desenvolvendo recursos para fabricar mais armas no país vizinho para impedir ataques contra seus interesses no Oriente Médio e obter os meios de atacar inimigos regionais, disseram fontes iranianas, iraquianas e ocidentais.

Qualquer sinal de que o Irã está preparando uma política de mísseis mais agressiva deve ampliar as tensões entre os governos de Teerã e Washington, já agravadas pela decisão do presidente americano, Donald Trump, de retirar os EUA de um acordo nuclear de 2015 fechado pela República Islâmica com potências mundiais.

Também deve constranger França, Alemanha e Reino Unido, os três signatários europeus do acordo, que vêm tentando salvar o pacto, apesar das novas sanções americanas contra Teerã.

De acordo com três autoridades iranianas, duas fontes de inteligência iraquianas e duas fontes de inteligência ocidentais, o Irã transferiu mísseis balísticos de curto alcance para aliados no Iraque ao longo dos últimos meses.

Cinco das autoridades disseram que o Irã também está ajudando as milícias xiitas a fabricar os próprios mísseis e  está ensinando os milicianos a disparar as novas armas.

“A lógica era ter um plano B se o Irã fosse atacado”, disse uma autoridade iraniana de alto escalão à agência Reuters. “O número de mísseis não é alto, só umas duas dúzias, mas pode ser elevado se necessário”, disse a autoridade.        

O Irã disse anteriormente que suas atividades de mísseis balísticos são de natureza defensiva. Autoridades iranianas não quiseram fazer comentários ao ser questionadas a respeito da movimentação.O governo e os militares do Iraque também não quiseram comentar.

Os mísseis Zelzal, Fateh-110 e Zolfaqar em questão têm alcances que variam de cerca de 200 a 700 quilômetros, o que coloca a capital da Arábia Saudita, Riad, ou a cidade israelense de Tel-Aviv dentro de seu raio de ação se as armas forem posicionadas no sul ou no oeste do Iraque.

A Força Al-Quds, braço da poderosa Guarda Revolucionária do Irã no exterior, tem bases nestas duas áreas. Qassem Soleimani, comandante da Força Al-Quds, está supervisionando o programa, segundo três das fontes.

A inteligência iraquiana vigiou o envio de mísseis às milícias, que começou sob o pretexto de que seriam usados na luta contra o Estado Islâmico. Mas os envios continuaram após a derrota do EI no Iraque, disse uma fonte de inteligência.

Países ocidentais já acusaram o Irã de transferir mísseis e tecnologia para a Síria e outros de seus aliados, como os rebeldes houthis do Iêmen e o Hezbollah libanês.Aliados do Irã e mesmo suas forças militares estão envolvidos em conflitos na Síria, no Líbano, Iraque e Iêmen.

Os vizinhos sunitas do Irã no Golfo Pérsico e seu arqui-inimigo Israel expressaram preocupação com as atividades regionais de Teerã, que veem como uma ameaça à sua segurança.

Segundo especialistas, as transferências tornam os aliados do Irã no Iraque capazes de atacar as forças americanas no país se o território iraniano for atacado.

Washington vem pressionando seus aliados para que adotem uma posição anti-Irã mais rígida desde que reativou suas sanções contra o país neste mês. / REUTERS

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