Irã: ultraconservadores voltam a questionar Ahmadinejad

O Parlamento do Irã convocou o presidente Mahmoud Ahmadinejad para mais um depoimento nesta quarta-feira, após ele ter sido ter sido questionado em dez pontos sobre o seu governo pelos parlamentares da linha-dura, em uma medida sem precedentes que poderá abrir o caminho para um possível impeachment do mandatário se a maioria do Parlamento não considerar as respostas satisfatórias. Além de desobedecer ao líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, Ahmadinejad foi questionado por supostamente ter fracassado na administração da economia e por desperdiçar fundos do governo. No total, 79 deputados do Parlamento de 290 pediram a convocação do mandatário.

AE, Agência Estado

14 de março de 2012 | 16h12

A convocação de Ahmadinejad ocorre após o Irã ter tido eleições parlamentares, em 2 de março, vencidas em grande parte das províncias pelos ultraconservadores ligados a Khamenei. O presidente ainda tem um ano e meio de mandato, mas aparentemente saiu enfraquecido do sufrágio de 2 de março. Um segundo turno ocorrerá em 25 de abril nos distritos onde os candidatos não obtiveram mais de 25% dos votos.

Ahmadinejad respondeu em um discurso de uma hora, transmitido pela televisão estatal. Não foram feitas perguntas diretas. Ele negou ter desafiado o poder de Khamenei, quando em abril de 2011 demorou 11 dias para reinstaurar no cargo o ministro da Inteligência, Haidar Moslehi, ligado à linha-dura xiita. Ahmadinejad também foi questionado a respeito da dramática alta nos preços, que provocou insatisfação pública, e também por seu suposto fracasso em prover um orçamento para a expansão do Metrô de Teerã. Ele foi acusado de acelerar a adoção de um pacote econômico que cortou subsídios à energia elétrica e à alimentação, o que aumentou os preços para os pobres e a classe média.

Ahmadinejad respondeu que o fim dos subsídios ocorreu por causa das "sanções internacionais" que o Irã sofre por causa do programa nuclear e também da "crise mundial". Segundo ele, se os deputados tivessem consultado antes o governo, "questões melhores teriam sido elaboradas". Ahmadinejad parecia sarcástico em alguns momentos e em outros irritado. Os ultraconservadores criticaram muito o presidente após o discurso, ao dizerem que ele usou uma linguagem "inapropriada". As 10 perguntas foram lidas em bloco, antes do discurso, pelo deputado ultraconservador Ali Motahari, crítico feroz do presidente.

As informações são da Associated Press e da Dow Jones.

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