Irã: uma ligação não restaura relações com EUA

O Irã disse que uma única conversa por telefone entre o presidente dos EUA, Barack Obama, e o presidente iraniano Hassan Rouhani não é um sinal de que as relações com Washington serão restauradas rapidamente.

Agência Estado

29 Setembro 2013 | 09h34

Os comentários do vice-ministro de Relações Exteriores, Abbas Araghchi, parecem destinados a acalmar os linhas-duras iranianos que se opuseram rapidamente ao relaxamento do congelamento diplomático de 34 anos do Irã com os EUA.

Alguns críticos de Rouhani gritaram insultos após seu retorno da reunião anual da Organização das Nações Unidos, em Nova York, que incluiu, na sexta-feira, uma conversa por telefone de 15 minutos entre ele e o presidente Barack Obama - o contato de nível mais alto entre os dois países desde a revolução islâmica de 1979.

Segundo a agência de notícias Fars, Araghchi disse que "relações normais" com Washington precisarão mais do que uma "ligação telefônica, reunião ou negociações" - uma referência aos esforços do Irã de retomar as negociações paralisadas sobre seu programa nuclear.

O ministro iraniano afirmou também que o país deseja discutir limites no nível no qual enriquece urânio, mas nunca suspenderá o processo completamente. "Durante os últimos 10 anos, nós insistimos que uma suspensão total do enriquecimento de urânio está fora de questão", afirmou Araqchi, que tem um papel essencial nas negociações nucleares com o Ocidente.

O ministro das Relações do Iraque, Hoshyar Zebari, disse ontem que o novo governo iraniano liderado pelo presidente Hassan Rouhani oferece "a melhor chance após 34 anos de animosidade" para melhorar as relações com os EUA e deveria ser levado a sério.

Zebari afirmou também que estava trabalhando atrás das cenas para tentar unir os grupos de oposição sírios díspares antes de uma conferência de paz em novembro e para promover um degelo das relações do Teerã com os EUA.

Ele afirmou que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu em uma reunião realizada ontem para que o Iraque pressione a oposição a vir com uma delegação e uma posição. O secretário também disse, segundo Zebari, que não ouviu nenhuma oposição à participação do Irã, um aliado do presidente sírio Bashar Assad, na próxima conferência de paz, que será realizada em Genebra.

O líder aiatolá linha dura do Irã, Ali Khamenei, que tem autoridade sobre assuntos importantes de Estado, parece estar fornecendo seu apoio essencial à reaproximação de Rouhani com o Ocidente.

Já o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou neste domingo que irá à ONU para "falar a verdade na cara da conversa branda e ataque de risos", em uma referência às aberturas diplomáticas do Irã ao Ocidente. Essa é a primeira reação do governo israelense à conversa por telefone entre Obama e Rouhani.

Netanyahu está viajando aos EUA para se reunir com Obama e falar na Assembleia Geral da ONU. O líder israelense está cético sobre Rouhani. Israel acredita que o Irã continua a aumentar a capacidade de armamento nuclear e que isso ameaça o país.

O Serviço de Segurança de Israel (Shin Bet) disse hoje que prendeu um cidadão belga de origem iraniana, que admitiu que foi enviado a Israel para espionar para o Irã. Segundo um comunicado da Shin Bet, Ali Mansouri, que entrou em Israel com o nome de Alex Mans, foi enviado pela Quds Force, elite da Guarda Revolucionária do Irã, para estabelecer ligações empresariais no país como um front de espionagem.

A Shin Bet disse que Mansouri fez três visitas a Israel desde 2012 disfarçado de um vendedor de janelas e telhados. Segundo a Shin Bet, Mansouri foi pego com fotografias que ele tirou da Embaixada dos EUA em Tela Avive. Mansouri foi preso há três semana em um aeroporto. Fonte: Dow Jones Newswires e Associated Press.

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