Irã vê progresso em impasse nuclear, diz Amorim em Nova York

Sobre o caso Sakineh, chanceler diz que Ahmadinejad respeita posição brasileira no assunto

LUCIANA XAVIER, Agência Estado

28 de setembro de 2010 | 18h23

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, se reuniu hoje com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, que teria dito ao chanceler brasileiro que houve evolução nas conversas sobre a questão nuclear entre Teerã e os países membros do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), composto por EUA, Rússia, China, França e Reino Unido, mais a Alemanha. 

Veja também:

especialEspecial: O programa nuclear do Irã

lista Veja as sanções já aplicadas contra o Irã

Caso Sakineh

Amorim afirmou também que falou com Mottaki sobre o caso de Sakineh Mohammadi Ashtiani, a iraniana condenada à morte por apedrejamento no Irã por adultério e assassinato. "O que ele (Mottaki) me disse é que esse caso não está finalizado, que ainda há um processo judicial que pode estar em andamento", disse. "O que eu deduzo, mas isso ele não disse claramente, é que aquela hipótese do apedrejamento estaria afastada", acrescentou.

De acordo com o chanceler, o Irã sabe do interesse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no caso Sakineh. "O nosso interesse é poupar a vida das pessoas, o Brasil é contra a pena de morte". "Infelizmente, há milhares de penas de morte ocorrendo no mundo inteiro", afirmou Amorim. Ontem, a agência de notícias iraniana Mehr afirmou que ela havia sido condenada à forca.

Ele acrescentou que o assunto também foi abordado no encontro que teve recentemente com o presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad. "O próprio presidente Ahmadinejad quis falar comigo sobre esse assunto, o que demonstra interesse e, digamos, um respeito pelo nosso interesse". O porta-voz de Mottaki, Ramin Mehmanparast, disse hoje que o "o processo judiciário não está completo" e que não há ainda uma decisão final sobre o caso de Sakineh.

Americanos

Amorim teria também comentado com Mottaki sobre o encontro que teve com a americana Sarah Shourd na semana passada, na Missão do Brasil na ONU, em Nova York. Sarah ficou presa por 14 meses no Irã acusada de ser espiã do governo dos EUA junto com o noivo, Shane Bauer, e um amigo, Josh Fattal, quando faziam caminhada na fronteira entre o país e o Iraque. Ela foi solta na semana retrasada, mas os dois outros americanos continuam presos.

O chanceler, no entanto, evitou falar sobre a situação dos dois brasileiros condenados à pena de morte na Indonésia por fuzilamento. O instrutor de voo Marco Archer Cardoso Moreira foi preso em 2003 no aeroporto de Jacarta, capital da Indonésia, com 13,4 quilos de cocaína escondidos na asa delta. No ano seguinte, o surfista Rodrigo Gularte foi condenado à morte por ter sido pego com seis quilos de cocaína. Em 2006, o governo da Indonésia negou a Moreira o pedido de clemência feito pelo presidente Lula.

Leia ainda:

especialAs punições da Sharia, a Lei Islâmica

documento As origens do sistema jurídico do Islã

especialEntenda o caso Sakineh Ashtiani

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.