Iraniano diz que continuará cooperação com a AIEA

O embaixador do Irã na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Ali Asghar Soltanieh, disse nesta segunda-feira à imprensa, em Viena, que seu país continuará sua cooperação com o órgão. "A melhor decisão é manter este assunto na AIEA", disse o diplomata iraniano, que acrescentou que se o assunto for enviado ao Conselho de Segurança da ONU, a crise sofrerá uma escalada que levará a uma situação na qual todos perdem. Diplomatas ocidentais disseram, em Viena, que uma alternativa seria permitir ao Irã realizar algumas atividades de pesquisa e desenvolvimento, em troca de uma moratória em seu programa industrial de enriquecimento de urânio e da ratificação do protocolo adicional do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), que permite aos inspetores da AIEA visitar quase sem aviso prévio qualquer instalação nuclear do Irã. Teerã assinou o protocolo em dezembro de 2003, mas seu Parlamento ainda não o ratificou. Como resposta ao envio do dossiê iraniano ao Conselho de Segurança, em 4 de fevereiro, o país suspendeu no mês passado sua cooperação dentro do protocolo adicional do TNP. O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed El Baradei, disse que é possível que o Conselho não precise explorar as ações iranianas. "Ainda estou muito esperançoso que na próxima semana possamos chegar a um acordo". Pressão americana Ignorando os relatos de que um acordo pode ser firmado, o governo dos Estados Unidos afirmou que o caminho está livre para que o Conselho de Segurança analise o programa nuclear iraniano em breve. Não houve traços de otimismo no Departamento de Estado americano em relação a um acordo com o Irã. "Não estou ciente de nenhuma proposta específica ou idéias específicas que exijam ou forcem algum tipo de atraso em uma ação do Conselho", disse o porta-voz do órgão, Tom Casey. "Você não pode estar um pouco grávida", provocou Casey referindo-se ao enriquecimento iraniano em baixa escala que seria aceito pela Rússia. Ele citou o exemplo da Coréia do Norte, que transformou um programa nuclear civil em um "programa bélico". A administração Bush está em campanha para levar o caso iraniano ao Conselho de Segurança, onde punições econômicas e diplomáticas poderão ser impostas ao país. O processo, no entanto, foi adiado várias vezes. A União Européia tentou negociar com o Irã, fornecendo concessões econômicas em troca do fechamento do programa nuclear. Como a iniciativa não surtiu efeito, a Rússia sugeriu sua proposta de enriquecimento. O ministro do Exterior russo, Sergey Lavrov, irá jantar com a secretária de Estado Condoleezza Rice, em Washington, nesta segunda-feira. No dia seguinte ele tem um encontro com o presidente dos EUA, George W. Bush. Na quarta, Lavrov se encontrará com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan.

Agencia Estado,

06 Março 2006 | 18h33

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