Iranianos celebram invasão de embaixada dos EUA

Milhares de iranianos foram às ruas nesta terça-feira celebrar o aniversário da invasão da embaixada dos Estados Unidos em Teerã, realizada em 1979. A manifestação acontece a dias de uma reunião crítica para o país e os norte-americanos, que precisam chegar a um acordo sobre o programa nuclear iraniano até o dia 24 de novembro.

Estadão Conteúdo

04 de novembro de 2014 | 10h59

O protesto ocorreu na parte externa do edifício que sediava a embaixada do país na década de 70, e é realizado anualmente. A participação da população esse ano, no entanto, foi menor que a observada em 2013, um sinal de que a liderança moderada do presidente Hassan Rouhani tem melhorado a relação entre os dois países.

Em 1979, estudantes iranianos invadiram a embaixada afirmando que os norte-americanos conspiravam contra o Irã. Na ocasião, 52 pessoas foram mantidas reféns por 444 dias.

Os protestos da terça-feira também tiveram um viés religioso, já que celebram sete séculos da morte do Ímã Hussein, neto do profeta Maomé reverenciado pelos xiitas.

A mobilização coloca pressão em Rouhani, cuja política externa em relação a Washington tem sido criticada pela oposição no cenário político doméstico. Apesar disso, o presidente conseguiu levar adiante um acordo sobre o programa nuclear do país que pode encerrar as sanções impostas pelos Estados Unidos ao Irã, em troca de garantias de que Teerã não pode produzir armas nucleares. Os dois países têm até o dia 24 de novembro para chegar ao acordo final.

O líder Supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, apoia o diálogo entre as nações, mas já expressou dúvidas sobre as intenções dos seis países envolvidos na negociação: os cinco integrantes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e a Alemanha.

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, e seu contraparte iraniano, Mohammad Javad Zarif, irão participar de diálogos trilaterais na próxima semana sobre o programa nuclear, com participação da chefe de Relações Exteriores da União Europeia, Catherine Ashton.

O conselheiro de Zarif, Ali Khorram, afirma que as relações entre o Irã e os Estados Unidos mudaram de abertamente hostis a amigáveis, mas que não são baseadas na confiança ainda. Khorram ressalta ainda que os dois países têm "áreas comuns de cooperação no Iraque e na Síria", contra os extremistas do grupo Estado Islâmico. Fonte: Associated Press.

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