Iranianos divergem sobre crise com Londres, diz jornal inglês

O desenlace da crise entre Londres e Teerã pela detenção de 15 militares britânicos em águas do Golfo Pérsico pode depender do resultado de uma discussão de alto nível na República islâmica, segundo o jornal inglês The Sunday Times.De acordo com uma fonte militar iraniana citada pelo jornal, o comandante da Guarda Revolucionária, general Yahya Rahim Safavi, defendeu na sexta-feira passada a libertação dos detentos diante do Conselho Nacional Supremo de Segurança, como forma de aliviar as tensões no Golfo e evitar que a crise escape do controle.Seu discurso conciliador foi supostamente denunciado por Yadollah Javani, chefe do birô político da mesma guarda, que em reunião de altos chefes militares o acusou de fraqueza e de "tendências liberais", além de pedir o julgamento dos militares britânicos por entrarem em águas iranianas, o que é negado por Londres.Anteriormente, Safavi havia advertido sobre a necessidade de que o Irã se preparasse para uma possível invasão americana, que poderia acontecer, segundo o comandante, no mês de maio. As manobras militares dos Estados Unidos em águas do Golfo Pérsico, na qual participam dois porta-aviões, uma centena de aviões e 10 mil soldados, alimentaram entre os iranianos o temor a um possível ataque da superpotência a suas instalações nucleares.Segundo o Sunday Times, muitos militares iranianos acham que o grupo de marinheiros e militares detidos em 23 de março e acusados de penetrar em águas territoriais fazia parte de um estratagema destinado a pôr a toda prova as defesas do país em preparação para a uma invasão.A ministra de Assuntos Exteriores britânica, Margaret Beckett, defendeu uma resolução pacífica da crise e comunicou a Teerã que o governo do Reino Unido está aberto a conversas com as autoridades iranianas.

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