Iranianos não se importam com sanções, diz Ahmadinejad

Para presidente do Irã, programa nuclear é uma questão de ´justiça´

Agencia Estado

15 Junho 2007 | 02h47

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou nesta quarta-feira, 13, que a população iraniana não dão importância às resoluções aprovadas pela Organização das Nações Unidas contra o programa nuclear do país. Durante um discurso realizado na província de Semnan, a leste da capital Teerã, Ahmadinejad declarou que "Do mesmo modo que as resoluções anteriores não fizeram efeito, o povo iraniano não dá importância às próximas resoluções da ONU". O presidente defendeu que para o Irã o programa nuclear é uma questão de "justiça" e que o país não aceitará ser tratado injustamente nesse assunto. "Os iranianos calaram a boca dos que os ameaçam", acrescentou Ahmadinejad, ainda se mostrando partidário do diálogo. Segundo o presidente, o programa de enriquecimento de urânio passa por sua fase final e falta muito pouco para que alcance as tecnologias de ponta, fato que caracterizará o Irã como um país com energia nuclear em negociações internacionais. Por sua vez, com um discurso em tom mais ameno e conciliador, o secretário do Conselho de Segurança Nacional, Ali Larijani, sugeriu "novas iniciativas racionais" para sair da estagnação em que se encontra o diálogo sobre o programa nuclear iraniano. Segundo informou nesta quarta-feira a agência de notícias IRNA, Larijani fez as declarações após se reunir com o vice-primeiro-ministro iraquiano, Barham Saleh, que está visitando o Irã. "Esperamos uma atitude racional da negociação da questão nuclear iraniana e acreditamos que as negociações devem se manter em uma estrutura lógica para alcançarmos resultados frutíferos", disse Larijani. Contudo, o negociador nuclear não detalhou em que consistem as "iniciativas racionais" que podem ajudar a destravar a atual crise entre o Irã e as potências ocidentais. Solana e Larijani se encontraram há dez dias, em Madri, onde os iranianos concordaram em ajudar a esclarecer vários pontos pendentes da investigação sobre seu programa nuclear. Agência de energia atômica Enquanto isso, os 35 países-membros do Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) iniciaram na última segunda uma nova reunião, dominada pelo conflito nuclear com o Irã. O diretor-geral da AIEA, Mohamed ElBaradei, pediu diante do Conselho para "interromper de forma urgente" a estagnação e "desativar" o confronto no caso nuclear iraniano. O prêmio Nobel da Paz de 2005 lembrou que o Irã continua sem cumprir as exigências da AIEA e do Conselho de Segurança da ONU, ao mesmo tempo em que reduz sua cooperação com os inspetores internacionais, o que qualificou de "desconcertante e deplorável". Segundo ElBaradei, "os fatos no terreno indicam que o Irã continua aperfeiçoando seus conhecimentos relevantes com o enriquecimento de urânio e expandindo a capacidade de suas instalações" nesse sentido. A comunidade internacional suspeita que o Irã desenvolve um programa nuclear civil com a intenção velada de conseguir fabricar armas atômicas.

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