Iranianos realizam novo protesto em Teerã

Milhares de manifestantes, alguns gritando "onde está meu voto?", entraram em confronto hoje com a polícia em Teerã. Funcionários da embaixada britânica foram presos, medida que agravou o impasse com o Ocidente e foi censurada pela União Europeia (UE). Testemunhas disseram que a polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar os cerca de 3 mil manifestantes que haviam se reunido nas proximidades da mesquita Ghoba, norte de Teerã. Esta foi a maior manifestação relacionada às eleições em quatro dias.

AE-AP, Agencia Estado

28 de junho de 2009 | 18h19

Alguns descreveram cenas de brutalidade, afirmando à Associated Press que manifestantes tiveram ossos quebrados. A polícia também teria espancado uma idosa, o que provocou a irritação de jovens manifestantes que entraram em confronto com os policiais. Os relatos não puderam ser verificados em razão das fortes restrições aos jornalistas impostas pelo governo iraniano.

A região norte de Teerã é a base de apoio do líder opositor Mir Hossein Mousavi, que afirmou que houve fraude na eleições presidenciais de 12 de junho e que ele, e não o presidente Mahmoud Ahmadinejad, venceu o pleito. Os confrontos deste domingo começaram com uma concentração que havia sido planejada para coincidir com um evento, realizado anualmente, em memória do aiatolá Mohammad Beheshti, foi considerado um mártir da República Islâmica depois de ter sido morto num grande ataque à bomba contra o regime em 1981.

Testemunhas disseram que os manifestantes também gritavam "Ya Hussein, Mir Hossein", ligando o primeiro nome de Mousavi com o do reverenciado santo xiita, o imã Hussein, neto do profeta Maomé e um símbolo do sacrifício pessoal por uma causa. Mais tarde, a situação se acalmou, a polícia estabeleceu patrulhas e cordões de isolamento. Foi o primeiro protesto relacionado às eleições desde quarta-feira, quando um pequeno grupo de manifestantes que lançavam pedras reuniu-se nas proximidades do parlamento que foi rapidamente sobrepujado pelas forças policiais, que usaram gás lacrimogêneo.

Autoridades iranianas disseram que 17 manifestantes e oito integrantes da milícia Basij morreram em duas semanas de manifestações. A batalha diplomática iraniana também se intensificou hoje depois que autoridades detiveram vários funcionários locais da Embaixada Britânica em Teerã, medida que o ministro de Relações Exteriores da Grã-Bretanha qualificou de "perturbadora e intimidativa". A UE condenou as prisões.

Meios de comunicação iranianos disseram que oito funcionários da embaixada foram detidos por seus supostos papéis em protestos pós-eleitorais, mas não forneceram maiores detalhes. O ministro de Relações Exteriores britânico, David Miliband, disse que "cerca de nove" funcionários foram detidos no sábado e que quatro haviam sido liberados.

Ministros de Relações Exteriores da UE, reunidos em Corfu, na Grécia, emitiram um comunicado condenando as detenções e pedindo a libertação imediata de todos os que ainda estão presos. Os 27 países do bloco também denunciaram as restrições iranianas aos jornalistas.

O Ministério de Relações Exteriores da Grã-Bretanha disse que tem mais de cem funcionários, dentre eles pelos menos 70 iranianos contratados localmente. Na semana passada, a Grã-Bretanha enviou para casa 12 dependentes de seus funcionários porque os protesto estava interferindo no seu dia a dia.

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