Iranianos se preparam para a guerra

Em meio a sinais preocupantes, população discute medidas para proteger suas famílias em caso de ofensiva

É JORNALISTA , O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2011 | 03h04

Diante dos alertas israelenses falando em ataques contra as instalações nucleares iranianas, as autoridades de Teerã costumam responder com bravatas e ameaças.

Os clérigos muçulmanos xiitas que governam o país falam no poderio das Forças Armadas iranianas, e os comandantes militares gabam-se de que o Irã poderia disparar "150 mil mísseis contra Israel" se uma bomba israelense atingisse o território iraniano.

Mas, em vez de partilhar dessa atitude desafiadora, muitos iranianos comuns estão cada vez mais preocupados, acreditando que uma guerra possa ser catastrófica.

No metrô, nas ruas e em reuniões particulares, os iranianos discutem a possibilidade de uma guerra e o desafio de proteger suas famílias caso ela venha a ocorrer.

Conforme aumentam as tensões, muitos iranianos começaram a adotar medidas de precaução. Alguns estão estocando artigos básicos.

Outros estão trocando seu dinheiro por moeda estrangeira, ou obtendo vistos para morar no exterior.

O temor de que algo possa ocorrer em breve tem aumentado nos últimos tempos. O ministro da Defesa de Israel disse este mês que seu país pode não ter alternativa a não ser o lançamento de um ataque militar para deter o nascente programa nuclear iraniano. O governo Barack Obama afirmou que se reserva todas as opções no tratamento dispensado a Teerã.

Enquanto os líderes iranianos dizem que suas ambições nucleares são puramente pacíficas, a maioria dos líderes ocidentais acredita que o país almeja construir armas nucleares.

A preocupação entre os iranianos foi ampliada pelos últimos fatos ocorridos no país.

No mês passado, uma misteriosa explosão numa base de mísseis perto de Teerã abalou a capital e levou muitos a acreditar que o ataque teria começado. Semanas mais tarde, todos os diplomatas britânicos deixaram o Irã após um ataque contra a embaixada da Grã-Bretanha em Teerã.

Nos últimos dias, a captura de um avião não tripulado da CIA que o Irã afirmou estar sobrevoando seu território consolidou a sensação de que o país ruma para um conflito.

A ansiedade também é alimentada pela mais recente rodada de sanções internacionais contra o Irã.

Enquanto as autoridades insistem que o Irã pode arcar com as crescentes limitações, os iranianos médios enfrentam preços cada vez mais altos e uma taxa de câmbio em acentuada queda, demonstrando a desvalorização do rial, que chegou a perder 48% do seu valor em relação ao dólar desde 2008.

Por enquanto, a economia do Irã é mantida em funcionamento por causa da renda obtida pelo setor do petróleo.

Mas a maioria das pessoas acredita que as sanções se tornarão cada vez mais rigorosas, até finalmente afetarem a capacidade do país de explorar e vender o petróleo.

Muitos iranianos dizem se sentir impotentes e incapazes de enxergar uma solução para seus problemas.

Alguns dizem até que seriam favoráveis a qualquer medida capaz de provocar mudanças no Irã, por mais caótico que seja o processo. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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