AP Photo/Vahid Salemi
AP Photo/Vahid Salemi

Iranianos vão às ruas responder às ameaças de Trump

Presidente do Irã diz que país deve ser tratado com respeito e dignidade e não com intimidação, e alerta que quem usar ‘linguagem ameaçadora’ contra o país, vai se arrepender

O Estado de S.Paulo

10 Fevereiro 2017 | 14h29

TEERÃ - O presidente do Irã, Hassan Rohani, afirmou que os milhões de iranianos que saíram nesta sexta-feira, 10, às ruas de todo os país estão respondendo às "mentiras" do novo governo dos EUA, liderado por Donald Trump.

"O povo está mostrando ao mundo que o Irã deve ser tratado com a linguagem do respeito e da dignidade e não com a da intimidação e das ameaças", disse Rohani à imprensa em Teerã durante a passeata que comemora o triunfo da Revolução Islâmica, informou o canal estatal PressTV em seu site.

Autoridades de Defesa e Inteligência estão alertando a Casa Branca sobre o risco de considerar a Guarda Revolucionária do Irã como uma organização terrorista, medida que vem sendo trabalhada pela presidência americana, mas ainda não está garantida. Segundo autoridades, as tropas americanas no Iraque e em outras regiões, que atuam na luta contra o Estado Islâmico, poderiam ser prejudicadas pela decisão sem precedentes de usar a lei, que não foi designada para impor sanções a instituições governamentais.

Empunhando cartazes com os dizeres "Morte à América" e representações satíricas da figura de Trump, moradores de Teerã marcharam rumo à Praça Azadi para comemorar o aniversário da Revolução Islâmica de 1979, que derrubou o xá apoiado pelos EUA. “O povo iraniano fará com que se arrependa qualquer um que use linguagem ameaçadora”, disse o presidente para milhares de pessoas reunidas.

Na terça-feira, o líder supremo do país, Ali Khamenei, conclamou os iranianos a participarem de manifestações para mostrar que o Irã não está assustado com as "ameaças" americanas. "A América e Trump não podem fazer droga nenhuma. Estamos prontos para sacrificar nossas vidas por nosso líder Khamenei", disse um jovem iraniano à rede de televisão estatal.

Na semana passada, Trump colocou o Irã "de sobreaviso" em reação a um teste de míssil realizado no dia 29 de janeiro e impôs novas sanções a indivíduos e entidades. Teerã disse que não irá interromper seu programa de mísseis.

Rouhani também pediu a seus compatriotas que se unam à passeata desta sexta-feira para "mostrar seus laços inquebrantáveis com o Líder Supremo e a República Islâmica".

Nas redes sociais, muitos iranianos usaram a hashtag #LoveBeyondFlags (AmorAlémDeBandeiras), para pedir o fim da queima de bandeiras durante o aniversário. Eles também agradeceram os americanos por se oporem ao decreto presidencial de Trump que impede a entrada de cidadãos de sete países de maioria muçulmana nos EUA, incluindo o Irã.

Mensagem. Irã e EUA não têm relações diplomáticas desde 1980, pouco depois da Revolução e da invasão da embaixada americana por estudantes islâmicos. “A presença da população é uma mensagem a Trump: se cometer um erro, o povo fará com que lamente”, disse o deputado reformista Mostapha Kavakebian, que estava na manifestação em Teerã.

Ghassem Soleimani, chefe de operações externas da Guarda Revolucionária, também estava entre a multidão. A tropa é uma força com mais de 100 mil homens no Exército, Marinha e Força Aérea do Irã, criada em 1979 pela Revolução Islâmica, que atua dentro do país e em missões no exterior. / AFP, EFE e REUTERS

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