Gabinete do Líder Syupremo via AP
Gabinete do Líder Syupremo via AP

Iranianos vão às urnas em eleição legislativa com conservadores como favoritos

País passa por uma crise econômica e observa uma escalada das tensões com os Estados Unidos

Redação, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2020 | 03h58

TEERÃ - Os iranianos votam nesta sexta-feira, 21, nas eleições legislativas em que conservadores começam como favoritos por conta do ressentimento de boa parte da população com o moderado presidente Hasan Rohani, principalmente devido à crise econômica e à corrupção. As assembleias de voto abriram às 8h (hora local) e o guia supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, votou cedo, como sempre. Khamenei reiterou seu pedido para que cerca de 58 milhões de eleitores participem massivamente para "garantir o interesse nacional" e votar "o mais rápido possível".

A décima primeira legislatura que sairá das pesquisas desde a revolução islâmica de 1979 começará em um contexto de tensões exacerbadas entre Teerã e Washington e uma grande recessão no país. As eleições acontecem quase um mês e meio depois que forças armadas iranianas "abateram por engano" um avião ucraniano, um drama que aumentou a desconfiança das autoridades.

Inicialmente, as autoridades civis negaram ter qualquer coisa a fazer, mas três dias após a tragédia, a equipe reconheceu sua responsabilidade. Esse reconhecimento tardio desencadeou algumas manifestações contra os governantes, destruindo a aparente unidade nacional manifestada dias antes no funeral do general iraniano Qasem Soleimani, morto por um ataque dos EUA no Iraque em 3 de janeiro.

Em Teerã, muitos habitantes disseram à AFP que se recusam a votar. Para Amir Mohtasham, 38 anos, desempregado por dois anos, "essas eleições são em vão". "Não confio em conservadores ou reformistas".

Como o regulador eleitoral proibiu milhares de potenciais candidatos reformistas e moderados de se candidatarem às eleições, o voto foi reduzido a um duelo entre conservadores e ultraconservadores, o que poderia alimentar a abstenção.

Dependendo do peso dos ultraconservadores na futura Assembléia, a política externa de abertura, aplicada por Rohani desde sua eleição em 2013, pode mudar. Os ultraconservadores se opõem a qualquer negociação com o Ocidente e acusam Rohani de ser passivo às ameaças do presidente dos EUA, Donald Trump.

Eles também estão ansiosos para sair do acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano alcançado em 2015 em Viena, a grande conquista de Rohani ameaçada desde que Trump se retirou unilateralmente dele em 2018. Rohani esperava que o acordo de Viena abrisse uma era de prosperidade para o Irã, removendo-o de seu isolamento internacional. /AFP

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