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Iraque aceita até vistorias "especiais", mas imporá alguns limites

O chefe dos inspetores da ONU disse hoje que o Iraque concordou até mesmo com vistorias de surpresa a locais "especiais" do presidente Saddam Hussein, mas o vice-presidente iraquiano adiantou que haverá limites para as inspeções.A questão das visitas de surpresa a locais como os palácios de Saddam - um assunto que ajudou a inviabilizar inspeções nadécada de 90 - "está resolvida pela resolução. Não foi nem discutida", explicou o inspetor-chefe Hans Blix depois de partir de Bagdá ao fim de uma visita de dois dias inaugurando o novo programa de vistorias da ONU, quatro anos após as últimas inspeções.O diplomata sueco referia-se à nova resolução do Conselho de Segurança que classifica as inspeções de "última oportunidade"para o Iraque cumprir suas obrigações pós-Guerra do Golfo deeliminar todas suas armas de destruição em massa. Ao aceitar aresolução, o Iraque concordou com inspeções irrestritas. O presidente dos EUA, George W. Bush, tem ameaçado recorrer a ação militar caso o Iraque não se desarme.Os Estados Unidos estão contactando aliados em busca de apoio para uma eventual ação militar. Hoje, em Copenhague, legisladores dinamarqueses aprovaram a participação de soldados da Dinamarca em qualquer força internacional no Iraque, senecessário e se aprovada pela ONU.O primeiro-ministro australiano, John Howard, num discurso hoje a um grupo de economistas em Camberra, disse que oficiais de defesa australianos têm tido discussões de contingência com seus colegas americanos sobre um possível ataque a Bagdá. Ele não detalhou qual pode ser a contribuição australiana.Em Londres, o secretário de Defesa britânico, Geoff Hoon, afirmou que os EUA requisitaram tropas da Grã-Bretanha para seunirem a uma possível guerra no Iraque. Hoon informou que Londres ainda não decidiu que resposta dará, e adiantou que o pedido não significa que uma guerra contra Saddam Hussein sejainevitável.O vice-presidente iraquiano, Taha Yassin Ramadan, disse hoje que o Iraque irá cooperar plenamente com os inspetores de armas,mas ele garantiu que não permitirá que eles colham informações de "inteligência"."Qualquer exigência ou pergunta ou uma maneira de trabalho que esteja em conformidade com o objetivo dos inspetores que querem verificar se o Iraque não mais dispõe de armas de destruição em massa será recebida com plena cooperação",afirmou Ramadan numa entrevista de Bagdá à privada Lebanese Broadcasting Corporation. "Mas para exigências que visamclaramente inteligência ou outros objetivos que não têm nada a ver com armas de destruição em massa, vamos agir de forma aresguardar a soberania e segurança do país."O Iraque levantou a questão da soberania na década de 90 para impedir que inspetores entrassem nos palácios de Saddam. O assessor presidencial iraquiano Amir al-Saadi confirmou queBagdá irá entregar no prazo estipulado, 8 de dezembro, uma listade seus programas de armas nucleares, químicas e biológicas. Mas ele não deu indicação sobre se ela irá conter algo além doinventário de trabalhos para o uso pacífico de materiais nucleares, químicos e biológicos. A resolução do Conselho de Segurança exige que o Iraque inclua qualquer trabalho de desenvolvimento de armas.Segundo Blix, os iraquianos estão "de certa forma preocupados" quanto à possibilidade de não terem tempo para juntar todas as informações necessárias até 8 de dezembro. "Eles têm preocupações particulares sobre dados de indústrias pacíficas, como indústrias químicas", explicou Blix. A lista de 8 de dezembro será o grande teste pelo qual a comunidade internacional irá julgar se o governo de Saddam está falando a verdade sobre seus interesses em armas avançadas.Blix e Mohamed ElBaradei, da Agência Internacional de Energia Atômica, disseram que, se Bagdá cooperar plenamente com asinspeções, eles poderão relatar em cerca de um ano que o paíscumpriu as exigências do Conselho de Segurança e as sançõeseconômicas impostas pela ONU ao Iraque devem ser suspensas.Blix e ElBaradei partiram do Iraque hoje, deixando para trásuns 20 inspetores e outro pessoal da ONU que os acompanhou.Novos inspetores chegam na segunda-feira, e as primeirasoperações em campo devem ter início em 27 de novembro. ElBaradei, falando a repórteres ao chegar a Chipre horas depois de deixar Bagdá, afirmou que o "verdadeiro teste" sobre as intenções de Bagdá será em 27 de novembro.O regime de inspeção de sete anos na década de 90 desmantelou o programa nuclear do Iraque antes que pudesse produzir uma bomba, e destruiu uma grande quantidade de armas químicas ebiológicas e mísseis de longo alcance proibidos por resoluçõespós-guerra da ONU. Mas acredita-se que algumas armas químicas em particular nunca foram destruídas, e a inteligência americana sugere que os iraquianos podem ter refeito alguns programas de armas desde que os inspetores abandonaram o país em 1998.Blix disse que o Iraque concordou em abrir um escritório paraos inspetores na cidade nortista de Mosul, e ampliar suasinstalações em Bagdá. ElBaradei e Blix deixarão os trabalhos do dia-a-dia com suas equipes, fazendo a supervisão de seus escritórios em Viena e Nova York, respectivamente.Hoje em Washington, o secretário da Defesa, Donald H. Rumsfeld afirmou que os EUA irão responder a ataques iraquianos contra aviões anglo-americanos patrulhando zonas de exclusão aérea, independentemente de se a ONU considera os disparos violação ou não de resoluções do Conselho de Segurança.Horas depois da declaração de Rumsfeld, aviões de combate americanos bombardearam três instalações de comunicações dedefesa aérea no sul do Iraque. O Comando Central dos EUA alegou que as defesas do Iraque haviam disparado mísseis contra seus aviões.Oficiais americanos têm dito que os disparos iraquianos contrapatrulhas na zona de exclusão aérea parecem constituir umaviolação da última resolução do Conselho de Segurança. Osecretário-geral da ONU, Kofi Annan, não concorda com ainterpretação. O Conselho de Segurança nunca aprovou especificamente os vôos sobre o norte e sul do Iraque, considerados por Bagdá uma violação de sua soberania.

Agencia Estado,

20 de novembro de 2002 | 18h01

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