Iraque aceita nova resolução da ONU

Diante de prazos estritos e uma ameaça de guerra, o Iraque aceitou hoje uma nova resolução da ONU que fará retornar ao país inspetores de armas, depois de quase quatro anos. Numa longa carta ao secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, o ministro do Exterior iraquiano criticou Estados Unidos e Grã-Bretanha - os patrocinadores da resolução - e qualificou a ação da ONU como injusta e ilegal, mas declarou que Bagdá irá cumpri-la."Informamos a você que vamos trabalhar com a resolução 1.441... Apesar do mal premeditado das partes mal-intencionadas, ela será implementada... para tentar poupar nosso povo de qualquer ferimento", disse Sabri. "Pedimos a você para informar ao Conselho de Segurança que estamos preparados para receber os inspetores dentro dos prazos determinados", acrescentou.Mas ele advertiu que o Iraque irá observar atentamente a ação deles. Em 1998, Bagdá acusou inspetores de espionarem para Estados Unidos e Israel."Ao lidar com os inspetores, o governo do Iraque irá... levar em consideração a maneira como se conduzem, as intenções daqueles entre eles que forem mal-intencionados e seu tratamento impróprio ao demonstrar respeito à dignidade nacional do povo, sua independência e segurança, e à segurança de seu país, independência e soberania", adiantou.Na carta de nove páginas, o Iraque reiterou que não dispõe de armas de destruição em massa.Sabri acusou o presidente dos EUA, George W. Bush, de, apoiado pelo primeiro-ministro britânico, Tony Blair, fabricar "a maior e mais imoral calúnia contra o Iraque" ao acusar Bagdá de ter ou de estar a caminho de produzir armas nucleares, e de já dispor de armas químicas e biológicas."Ambos sabem, assim como sabemos, e como podem saber outros países, que tais fabricações não têm base", afirmou.Pelas resoluções do CS adotadas depois que o Iraque invadiu o Kuwait em 1990, inspetores da ONU têm de certificar que os programas de armas de destruição em massa iraquianos foram desmantelados, assim como os mísseis de longo alcance capazes de transportar os armamentos. Caso isso seja confirmado, as sanções contra o Iraque seriam imediatamente suspensas.A carta foi entregue ao gabinete do secretário-geral da ONU enquanto Annan encontrava-se em Washington, onde se reuniu com Bush.Após o encontro, Bush recusou-se a discutir a carta, apesar de ter agradecido ao CS por ter aprovado a resolução."O mundo espera que Saddam Hussein se desarme pelo bem da paz", disse Bush, tendo Annan ao seu lado. "A ONU assumiu suas responsabilidades."O ministro do Exterior da Rússia, Igor Ivanov, cujo país é o aliado mais próximo do Iraque no CS, disse à televisão russa ORT: "Estávamos confiantes que o Iraque iria tomar essa decisão, que abre o caminho para uma solução política da situação. Agora é importante que os inspetores internacionais retornem rapidamente ao Iraque."O Parlamento iraquiano havia recomendado a Saddam na terça-feira que rejeitasse a resolução, mas a aceitação abriu caminho para a chegada, na segunda-feira, dos inspetores da ONU.Em sua carta, Sabri exortou os inspetores para terem em mente que vão começar a trabalhar durante o mês sagrado muçulmano do Ramadã, quando as pessoas jejuam durante o dia.Se os inspetores desempenharem seu trabalho "profissionalmente e dentro da lei", garantiu Sabri, "as mentiras dos mentirosos" sobre as armas de destruição em massa do Iraque serão expostas e o Conselho de Segurança terá de suspender as sanções.Sabri adiantou que enviará uma outra carta sublinhando os elementos da resolução 1.441 que, para o Iraque, são contrários à lei internacional e à Carta da ONU.A equipe avançada será liderada pelo inspetor-chefe da ONU, Hans Blix, responsável pelas inspeções químicas e biológicas, e por Mohamed el-Baradei, chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), à frente das inspeções nucleares.A resolução exige que o Iraque coopere plenamente com os inspetores e permita que eles visitem qualquer lugar, a qualquer hora, para buscar armas de destruição em massa.O Iraque, adverte-se, sofrerá "sérias conseqüências" se não cumprir as exigências - e os EUA têm deixado claro que as conseqüências seriam uma guerra."Agora, não estamos falando sobre guerra ou ação militar. Estamos falando de uma missão de inspetores e como torná-la bem sucedida", disse Amr Moussa, secretário-geral da Liga Árabe.

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