Iraque acusa EUA de tentar fazer diplomatas "traírem o país"

O ministro do Exterior iraquiano acusou hoje os Estados Unidos de estarem tentando fazer com que diplomatas-chave do Iraque, negociando o retorno dos inspetores de armas, desertem do governo do presidente Saddam Hussein. "Em grosseiras operações... a Embaixada americana e oficiais de inteligência estão fazendo contatos com membros da delegação iraquiana numa tentativa de levá-los a trair seu país", disse Naji Sabri numa entrevista à tevê por satélite Al Jazira.Ele afirmou que se referia a delegações nas Nações Unidas, onde diplomatas negociam uma nova resolução para fazer retornar os inspetores, e em Viena e na Áustria, onde os inspetores de armas nucleares da ONU têm sua sede.No passado, o governo americano sempre se recusou a comentar seu papel em deserções de diplomatas iraquianos de alto nível. Em julho de 2001, quando dois iraquianos na Nações Unidas pediram asilo aos EUA, o porta-voz do Departamento de Estado, Richard Boucher, disse que "não discutimos supostos pedidos de asilo".Entretanto, oficiais da inteligência ocidental e dissidentes iraquianos afirmaram à Associated Press no Cairo, Egito, que autoridades americanas e britânicas se aproximaram de diplomatas do Iraque em reuniões internacionais a fim de conversar sobre uma defecção para a oposição iraquiana.Desde a invasão iraquiana do Kuwait em 1990, dezenas de diplomatas iraquianos desertaram para países árabes e ocidentais, e vários uniram-se a grupos de oposição. As defecções foram um constrangimento para o governo de Saddam.Sabri também afirmou que a nova proposta de resolução apresentada pelos EUA sobre a volta dos inspetores de armas iria impedir que o Iraque negociasse diretamente com os inspetores sobre qualquer problema, obrigando os inspetores a noticiarem mesmo pequenos transtornos, como se ficarem presos num congestionamento, ao Conselho de Segurança da ONU. "Congestionamento de tráfego... constitui uma ameaça à paz e à segurança internacionais", disse Sabri.O novo esboço de resolução dos EUA iria destruir o prestígio da ONU, ao tentar criar um pretexto para um ataque contra o Iraque, avaliou. "Esse é um esboço de lei para assumir o controle e declarar guerra às Nações Unidas", assegurou ele à Al Jazira.

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